O Museu Universitário de Arte (MUnA) inaugurou duas exposições. As mostras abordam corpo, memória e política por meio de diferentes trajetórias. A entrada é gratuita para ambas as exposições.
As exposições em cartaz são “Artista Galeria”, de Pedro Mandarino, com curadoria de Rizza Habita, e “No Canto Escuro da Praia do Lázaro – IIIº Ato”, de João Buson, com curadoria de Priscila Rampin.
Em “Artista Galeria”, Pedro Mandarino apresenta um projeto iniciado em 2018. A exposição é estruturada a partir do conceito de corpo-galeria. O corpo e as vestimentas funcionam como suporte, meio e campo político.
A exposição inclui QR Codes para uma experiência interativa. Essa abordagem foca no processo criativo contínuo, em vez do produto final. A criação é tratada como uma prática em andamento.
A exposição estabelece diálogo com proposições de Allan Kaprow e Joseph Beuys. Isso ocorre na aproximação entre arte e vida. O fazer artístico é tratado como uma experiência permanente.
Pedro Mandarino afirma que “A ideia da exposição é que tudo é trabalho; o corpo e a voz fazem parte da construção das obras”. Essa posição busca retirar a centralidade do resultado acabado.
A exposição enfatiza a ação, a presença e o percurso criativo. O artista declara interesse em instigar o visitante a rever suas leituras. “É uma forma de provocar essa conversa entre arte e trabalho”, explica.
Exposição “No Canto Escuro da Praia do Lázaro – IIIº Ato”
“No Canto Escuro da Praia do Lázaro – IIIº Ato” parte de uma experiência pessoal. A mostra reflete sobre memória, ancestralidade e espiritualidade. O ponto de partida é a morte do tio do artista, Mauro Sérgio dos Santos da Cruz.
O falecimento ocorreu em 1998, na Praia do Lázaro, em Ubatuba (SP). Existem versões divergentes sobre o ocorrido. Uma delas indica que amigos tentaram socorrê-lo após um possível afogamento.
Outra versão relata que ele foi visto pela última vez com uma mulher antes de desaparecer. João Buson já investigava histórias familiares desde a graduação. Ele afirma trabalhar com “lembranças das lembranças”, pois não conheceu o tio.
Ao comentar o processo, Buson explica que buscou transformar essa ausência em imagem. “Dar forma ao que sempre ficou na dúvida”, destaca. A incerteza é trabalhada em xilogravuras.
O trabalho se articula ao conceito de “Águas de Kalunga”, de Conceição Evaristo. Este conceito compreende a água como travessia entre vivos e mortos. Buson aproxima sua investigação de uma dimensão ancestral e transcendente.
Essa dimensão está ligada à tentativa de dar forma à ausência e ao indizível. Este aspecto orienta suas escolhas visuais e conceituais. “A espiritualidade apareceu para mim como esse espaço de pertencimento”, detalha.
As peças foram produzidas em dois meses com matrizes entalhadas manualmente. Elas são exibidas ao lado das impressões. Segundo a UFU, as peças revelam o processo como elemento narrativo.
A expografia, assinada por Aurélio Borim, utiliza trabalhos em pares e tecidos suspensos. Isso cria uma dualidade entre peso e leveza. O balanço das obras evoca o movimento das ondas e do mar.
As exposições estão abertas ao público no MUnA, com entrada gratuita. O horário de funcionamento é de terça a sexta-feira, das 9h às 18h. Aos sábados e domingos, o horário é das 13h às 17h.
As mostras integram o calendário cultural da Universidade Federal de Uberlândia. Elas podem ser visitadas até 4 de abril. Para mais informações, acesse o site do MUnA.
