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Um estudo realizado pela economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp, indica que reduzir a jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas pode gerar até 4,5 milhões de novos empregos no Brasil e aumentar a produtividade em cerca de 4%.
O levantamento faz parte do Dossiê 6×1, documento elaborado por 63 especialistas, incluindo professores, pesquisadores e representantes sindicais. O material reúne 37 artigos sobre os impactos econômicos e sociais da redução da jornada.
De acordo com a pesquisa, aproximadamente 21 milhões de trabalhadores no Brasil cumprem jornadas superiores às 44 horas previstas na CLT. Além disso, 76,3% das pessoas ocupadas trabalham mais de 40 horas por semana.
A pesquisadora destaca os custos humanos da sobrecarga de trabalho. Em 2024, foram registrados 500 mil afastamentos por doenças psicossociais relacionadas a condições desfavoráveis no ambiente laboral, apenas no emprego formal.
Impactos e negociações
A redução da jornada para 36 horas semanais em escala 4×3 atingiria diretamente 76 milhões de trabalhadores. Já a migração para 40 horas em escala 5×2 beneficiaria cerca de 45 milhões de pessoas.
Uma nota técnica do Ipea, publicada em fevereiro de 2026, concluiu que os custos da redução para 40 horas seriam equivalentes aos de reajustes históricos do salário mínimo. Nos setores industriais e comerciais, o impacto seria inferior a 1% nos custos operacionais.
O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, afirmou que há avanços nas negociações para votação da proposta ainda no primeiro semestre. A posição do governo defende jornada máxima de 40 horas semanais em escala 5×2, sem redução salarial.
O estudo também cita exemplos internacionais. A Islândia registrou crescimento econômico de 5% após reduzir a jornada para 35 horas em 2023. No Japão, um programa da Microsoft com escala 4×3 elevou a produtividade em 40%.
A última redução da jornada no Brasil ocorreu na Constituição de 1988, quando o limite caiu de 48 para 44 horas semanais. A mudança foi implementada em um período de recessão econômica, sem gerar desemprego ou falências em massa.
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