As chuvas intensas na Zona da Mata mineira causaram mortes, desalojados e impactos no sistema de saúde da região, segundo nota técnica da Fiocruz divulgada na sexta-feira (27/3). O documento foi elaborado pelo Observatório de Clima e Saúde da instituição, com colaboração de pesquisadores da UFJF.
De acordo com a Fiocruz, o estudo analisou os efeitos das inundações e deslizamentos em cidades como Juiz de Fora e Ubá. O texto traz recomendações para o SUS nas três esferas de gestão, visando mitigar os danos à saúde pública.
Situação nos hospitais da região
Juiz de Fora funciona como polo regional de média e alta complexidade para o Sudeste de Minas. A nota alerta que a sobrecarga nos hospitais do município pode gerar um “efeito cascata na rede de atenção em saúde”, afetando cidades vizinhas. As interrupções nas estradas por quedas de barreira agravam o problema.
O estudo utilizou dados do FluxSUS, sistema desenvolvido pelo Icict/Fiocruz para monitorar impactos de desastres na saúde. A ferramenta permite avaliar como a interrupção de serviços em um local afeta toda a região.
Riscos à saúde pós-desastre
A nota técnica aponta riscos sanitários no período após as chuvas, incluindo possíveis surtos de doenças infecciosas, agravamento de condições crônicas e impactos na saúde mental. O documento destaca a vulnerabilidade urbana a eventos climáticos extremos.
Entre as recomendações estão intensificar a vigilância epidemiológica, agilizar envio de medicamentos, monitorar a qualidade da água e mapear unidades de saúde em áreas de risco. O texto também sugere realocar unidades para locais mais seguros.
Segundo a análise, falhas de planejamento e gestão territorial ampliaram os impactos do desastre. A nota técnica está disponível para consulta no site da Fiocruz.
