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O Brasil iniciou o tratamento inédito contra malária em crianças com idade entre 5 e 15 anos por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). O país é o primeiro do mundo a disponibilizar a tafenoquina na dosagem pediátrica de 50 mg, indicada para pacientes com peso entre 10 kg e 35 kg.
De acordo com o Ministério da Saúde, serão distribuídos inicialmente 126.120 comprimidos, com investimento de R$ 970 mil. A entrega começou no dia 2 de março e prioriza áreas de alta incidência na região Amazônica, incluindo territórios indígenas.
Distribuição em áreas prioritárias
O Ministério já recebeu 64.800 comprimidos para os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) Yanomami, Alto Rio Negro, Rio Tapajós, Manaus, Vale do Javari e Médio Rio Solimões. Essas regiões concentram cerca de 50% dos casos de malária em crianças e adolescentes.
O DSEI Yanomami será o primeiro a receber o medicamento, com 14.550 comprimidos. Em 2024, a região já havia sido contemplada com a versão adulta da tafenoquina (150 mg) para pacientes acima de 16 anos.
Segundo Weibe Tapeba, secretário de Saúde Indígena, o Ministério está capacitando profissionais de saúde nos DSEIs para garantir a aplicação correta do tratamento. A medida segue recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Vantagens do novo tratamento
A tafenoquina pediátrica será administrada em dose única, facilitando a adesão ao tratamento. O medicamento elimina completamente o parasita e previne recaídas, contribuindo para reduzir a transmissão da doença.
A incorporação ao SUS foi autorizada pela Portaria nº 64, de 15 de setembro de 2025. O tratamento é indicado para malária causada pelo Plasmodium vivax, responsável por mais de 80% dos casos no Brasil.
Mariângela Simão, secretária de Vigilância em Saúde, destacou que a ampliação da cobertura pode reduzir em até 20 mil casos de malária. A medida também inclui a distribuição de testes rápidos para diagnóstico precoce.
Redução de casos
Em 2025, o Brasil registrou o menor número de casos de malária desde 1979, com queda de 15% em relação a 2024. Nas áreas indígenas, a redução foi de 16%. Os casos causados pelo Plasmodium falciparum, forma mais grave da doença, caíram 30%.
Além da tafenoquina, outras estratégias como mosquiteiros impregnados e testes rápidos têm contribuído para o controle da doença, especialmente na região Amazônica.
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