Um relatório da consultoria LLYC, divulgado em referência ao Dia Internacional da Mulher, aponta que a inteligência artificial (IA) reforça estereótipos de gênero e amplifica preconceitos históricos em interações com jovens. O estudo analisou respostas de cinco modelos de IA, incluindo ChatGPT, Gemini e Grok, com foco em pessoas entre 16 e 25 anos.
De acordo com a pesquisa, realizada em 12 países ao longo de 2025, a IA trata homens e mulheres de forma desigual. Em 56% dos casos, as respostas associam mulheres à fragilidade e vulnerabilidade. Além disso, recomenda validação externa seis vezes mais para elas e direciona 75% das sugestões vocacionais femininas para áreas como saúde e ciências sociais.
“Não é a IA que está enviesada, mas a realidade. O relatório confirma que a tecnologia não corrige os déficits existentes: ela reflete e amplifica uma superproteção às mulheres, reduz sua autonomia, perpetua tetos de vidro e reforça pressões estéticas”, afirma Luisa García, sócia e CEO Global de Corporate Affairs da LLYC.
Influência em comportamentos e carreiras
Segundo dados da Plan International citados no estudo, 31% dos jovens consideram conversar com chatbots tão ou mais satisfatório do que falar com amigos reais. A pesquisa da LLYC identificou que a IA assume um tom amistoso em 13% mais respostas para mulheres, enquanto prioriza linguagem direta e imperativa para homens.
Na orientação profissional, a tecnologia redireciona mulheres até três vezes mais para ciências sociais e saúde, enquanto sugere engenharia e liderança para homens. Em situações de minoria feminina no trabalho, nove em cada dez consultas geram cenários laborais hostis.
Desigualdades normalizadas
O relatório mostra que a IA oferece conselhos sobre aparência 48% mais às mulheres. Modelos como o LLaMA mencionam estética feminina 40% mais que a masculina. Homens são associados a força e funcionalidade, enquanto mulheres recebem recomendações ligadas à autenticidade.
No ambiente familiar, a pesquisa identificou que o afeto aparece três vezes mais como atributo materno. Em 21% das respostas, o pai é descrito como “ajudante”, reforçando expectativas tradicionais sobre cuidados domésticos.
