O Banco Central determinou a liquidação do Banco Master em novembro de 2025. De acordo com investigações da Polícia Federal, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria desviado recursos da instituição para beneficiar familiares e sócios por meio de uma estrutura financeira complexa.
Segundo documentos das investigações, uma conta vinculada a Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-banqueiro, apresentava saldo superior a R$ 2,2 bilhões. A informação consta em decisão judicial que autorizou operações da PF na última quarta-feira (4 de março). Daniel Vorcaro, já preso em novembro, foi detido novamente neste mês.
A defesa de Henrique Vorcaro afirmou que “são incorretas as informações divulgadas no sentido de que a conta mencionada na decisão do STF seja de sua titularidade”. O grupo também negou a existência de desvios e declarou que operações financeiras foram registradas em órgãos reguladores.
As investigações apontam que recursos teriam sido direcionados para Natalia Vorcaro (irmã do banqueiro), Felipe Vorcaro (primo) e três parentes de João Carlos Mansur, dono da administradora Reag. A reportagem não obteve retorno dos advogados de Daniel Vorcaro e dos demais investigados.
Mecanismo dos desvios
De acordo com a PF, o esquema envolvia a venda de CDBs com remuneração acima do mercado, captando mais de R$ 50 bilhões. Os recursos eram direcionados a fundos de investimento com único cotista: o próprio Banco Master.
Dos R$ 3,5 bilhões investidos nesses fundos, R$ 1,8 bilhão teria beneficiado empresas ligadas a sócios do banco. Um exemplo citado é a Clínica Mais Médico, que recebeu R$ 361,1 milhões de um fundo controlado pelo Master através de um intermediário.
A investigação aponta que parte dos recursos retornava ao Master via compra de CDBs, enquanto outra parcela era desviada. O dinheiro seguia por uma rede de empresas antes de chegar a contas controladas por pessoas ligadas a Vorcaro.
Superfaturamento de ativos
A PF identificou indícios de inflação artificial dos ativos do banco. Fundos ligados à Reag adquiriam certificados de ações do extinto Besc (Banco do Estado de Santa Catarina), papéis sem valor de mercado, para simular crescimento patrimonial.
Essa valorização fictícia permitia ao Master emitir novos CDBs, alimentando o ciclo de captação. Segundo a investigação, o esquema explorava falhas na regulação do mercado de capitais.
De acordo com o jornal O Tempo, operações envolvendo gestão fraudulenta de instituição financeira podem resultar em penas de 3 a 12 anos de reclusão. Crimes de lavagem de dinheiro têm pena prevista de 3 a 10 anos.
