O temporal de 23 de fevereiro na Zona da Mata mineira causou 72 mortes e deixou marcas profundas nos moradores da região. Deslizamentos de terra transformaram a paisagem e geraram medo entre os sobreviventes, que relatam traumas e crises de ansiedade.
José Joaquim de Freitas, 74 anos, morador do bairro Alto Grajaú em Juiz de Fora, descreve o impacto emocional. “É um trauma. Foi muito difícil ver tudo descendo, isso mexe com a gente. Minha filha também está traumatizada”, disse o aposentado, que vive no local há 40 anos.
De acordo com o psicólogo Cláudio Paixão, especialista em psicologia social, reações agudas ao estresse são comuns após catástrofes. Ele explica que medo intenso e hipervigilância são respostas naturais do sistema nervoso em situações extremas.
Maicon Oliveira de Almeida, 38 anos, morador do mesmo bairro, relata ansiedade com mudanças climáticas. “Eu moro debaixo de barranco, então fico com medo. Todo mundo está assim… começa a garoar e o medo já vem”, afirmou.
Simone Aparecida Mendes, 48 anos, servidora municipal, participou de resgates no dia do temporal. “Fiquei quatro dias sem comer e dormir. Aquilo fica na cabeça da gente, machuca, dói”, relatou sobre a experiência traumática.
Apoio psicológico disponível
A psicóloga Viviane Rogêdo destaca que distúrbios de sono e alimentação são comuns após desastres. Ela recomenda busca por ajuda especializada caso os sintomas persistam por mais de 30 dias.
Em Juiz de Fora, cidade mais afetada com 65 mortos, a prefeitura criou um núcleo de apoio psicossocial. Equipes de saúde atendem nos abrigos emergenciais e na rede municipal, segundo informações oficiais.
Psicólogos da Força Nacional do SUS reforçam o atendimento em Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa. O governo federal enviou equipe multidisciplinar com 18 especialistas para a região.
Segundo a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social, foi garantido aporte superior a R$ 5 milhões para as cidades atingidas pelas chuvas.
