O Minaspetro, sindicato que representa os postos de combustíveis em Minas Gerais, negou a responsabilidade dos estabelecimentos pela recente alta no preço da gasolina. A entidade afirma que os postos são o “elo mais frágil” da cadeia e que “não vão aceitar a culpa pela instabilidade provocada pelo cenário internacional”, atribuindo o aumento a outros fatores da cadeia de suprimentos.
O posicionamento ocorre em meio a um aumento no preço da gasolina na capital mineira. De acordo com o jornal O Tempo, em um posto, o litro subiu de R$ 5,99 para R$ 6,39 entre 11 e 16 de março. Em outro estabelecimento, o valor passou de R$ 5,39 para R$ 5,96, uma alta de R$ 0,57 no mesmo período.
A elevação nos valores chama a atenção porque não houve reajuste oficial da Petrobras para a gasolina. A estatal anunciou na última sexta-feira (13) alterações apenas no preço do diesel, reforçando que sua política busca evitar o repasse da volatilidade do mercado internacional aos consumidores. A empresa afirma manter uma política de estabilidade de preços para a gasolina.
Apesar da ausência de reajuste direto, o Minaspetro argumenta que os custos aumentaram de forma indireta. O sindicato afirma que a Petrobras realizou leilões de diesel com valores acima da tabela, o que impacta toda a cadeia. A entidade também ressalta que os postos compram o combustível das distribuidoras, e não diretamente da estatal, sendo afetados por repasses sucessivos.
“Nas últimas semanas, o Minaspetro vinha alertando sobre restrições impostas por companhias na venda de combustíveis, especialmente para postos de Marca Própria. Nos últimos dias a situação se agravou, com escassez ainda maior do produto, preços que inviabilizam o carregamento por parte do posto e relatos de estoques completamente zerados,” afirma a nota do sindicato.
O sindicato também aponta o cenário internacional como um dos fatores para a instabilidade, citando a escalada de conflitos no Oriente Médio que tem pressionado o mercado global de petróleo. Diante da situação, o Minaspetro informou que irá acionar órgãos reguladores para solicitar uma fiscalização que analise toda a cadeia produtiva, e não apenas o preço final na bomba.
