A proliferação de buracos e crateras em vias de Belo Horizonte e da Região Metropolitana tem gerado riscos para motoristas e pedestres. Relatos de moradores apontam para a demora na resolução dos problemas, enquanto um especialista alerta para os perigos que vão além dos danos materiais, envolvendo a segurança viária. As prefeituras afirmam realizar manutenções, mas a percepção de quem transita pelas ruas é de que as ações são insuficientes.
De acordo com informações do jornal O Tempo, o vendedor automotivo Joaquim Martins enfrenta uma cratera aberta em frente à sua garagem no bairro Planalto, em Belo Horizonte. Ele relata que o problema persiste há quase dois meses, apesar dos chamados abertos por ele e seus vizinhos. “Está muito difícil dirigir e caminhar pela cidade. Essa cratera na porta da minha casa não é a primeira vez”, relembra Martins.
Para acessar a própria garagem, o morador precisa realizar manobras arriscadas e teme que as chuvas recentes agravem a situação. “A água vai infiltrando e meu medo é que danifique a estrutura da minha residência ou que o buraco aumente ainda mais”, desabafa. A situação de risco se repete em outras áreas da capital, como no bairro Itapoã, na região da Pampulha, próximo a uma escola municipal.
O administrador Windson Alves, de 54 anos, alerta para o perigo na rua Coronel Índio do Brasil, onde motoristas realizam desvios bruscos para evitar os buracos, invadindo passeios. “Por aqui, é total insegurança, especialmente nos horários de entrada e saída dos alunos. Um segundo de distração ou um desvio mal calculado de um carro pode resultar em uma tragédia irreparável”, afirma Alves.
Em Contagem, um vazamento em uma rede de água na rua Coronel Lauro Pires, no bairro Pedra Azul, resultou na abertura de uma cratera que engoliu um carro. O problema, que começou no último fim de semana, se agravou com o surgimento de novas aberturas na via. O tráfego no local foi interditado e a sinalização foi feita apenas com fitas zebradas.
O especialista em trânsito Silvestre Andrade ressalta que o maior perigo relacionado aos buracos é o fator humano, pois manobras súbitas para desviar podem causar acidentes graves. “Ao tentar frear ou desviar subitamente de um buraco, o motorista pode provocar colisões graves. Situações como essa são comuns e têm relação direta com a má conservação das ruas”, afirma Andrade.
Segundo o especialista, o investimento em manutenção preventiva seria mais econômico do que os reparos emergenciais. “Infelizmente, o poder público muitas vezes atua apenas depois que o prejuízo já está instalado”, complementa. A recomendação para os motoristas, especialmente no período chuvoso, é redobrar a atenção e praticar a direção defensiva, pois a água pode ocultar a profundidade das irregularidades.
A Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Subsecretaria Municipal de Zeladoria Urbana (Suzurb), informou que as operações de tapa-buracos são serviços de rotina executados durante todo o ano. “No período chuvoso, em dias de estiagem, operações força-tarefa são realizadas em vias principais para aumentar a segurança viária”, afirmou a pasta em nota.
A subsecretaria detalhou que, em 2025, foram realizadas 119.567 operações, com um investimento de R$ 58 milhões, e que a previsão orçamentária para 2026 é de R$ 61 milhões. Os pedidos de reparo devem ser feitos pelos canais oficiais, como o aplicativo PBH APP ou o site pbh.gov.br, com um prazo estimado de atendimento de cinco dias úteis. A Copasa e a Prefeitura de Contagem não haviam se posicionado até a publicação da reportagem.
