Trabalhadores da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) decidiram manter a greve por tempo indeterminado. A decisão ocorreu após uma reunião na tarde desta quarta-feira (18), em frente à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em Belo Horizonte. O movimento grevista continua devido à ausência de uma proposta do governo estadual para atender às reivindicações da categoria, que busca melhores condições de trabalho e reajuste salarial.
De acordo com informações do jornal O Tempo, o presidente da Associação dos Trabalhadores em Hospitais de Minas Gerais (Asthemg), Carlos Martins, informou que representantes da categoria se reuniram com deputados estaduais. O deputado Zé Guilherme (PP) se dispôs a intermediar uma negociação com o governo, mas, segundo Martins, nenhuma proposta oficial foi apresentada até o momento para solucionar o impasse e encerrar a paralisação.
A paralisação não tem data para terminar e seguirá até que o governo apresente uma proposta considerada satisfatória. “A greve é por tempo indeterminado, até que haja uma proposta por parte do governo que resolva os problemas que motivaram o movimento”, explicou Martins. Ele também destacou que, apesar do aumento na adesão dos trabalhadores, as escalas mínimas de atendimento nos hospitais da rede estão sendo mantidas.
Carlos Martins esclareceu que apenas os setores administrativos estão com as atividades totalmente paralisadas. Os serviços assistenciais, por outro lado, continuam funcionando com equipes reduzidas para garantir os atendimentos de urgência e emergência. “Os atendimentos aos pacientes internados continuam sendo realizados, assim como os casos de urgência e emergência. Nenhum serviço assistencial foi totalmente interrompido”, afirmou o líder sindical, garantindo a continuidade dos cuidados essenciais.
O movimento grevista envolve enfermeiros, técnicos de enfermagem, assistentes sociais, psicólogos e outros profissionais da rede, mas não inclui os médicos. Conforme o representante sindical, ainda não há um balanço consolidado sobre os possíveis impactos da paralisação nos atendimentos à população, como um eventual aumento no tempo de espera nos hospitais da fundação. A Fhemig foi procurada para comentar a situação, mas ainda não houve posicionamento.
Em nota, o Governo de Minas reafirmou seu compromisso com a valorização dos servidores e o diálogo permanente. A gestão destacou que, desde 2019, priorizou a reorganização das contas públicas e restabeleceu a regularidade dos pagamentos. O comunicado menciona a quitação do 13º salário de 2018 e a regularização dos salários a partir de 2021, com pagamentos integrais no quinto dia útil de cada mês.
O governo também citou as recomposições salariais concedidas, como o reajuste de 10,06% em 2022 para todo o funcionalismo do Executivo, após mais de uma década sem revisão geral. Em 2024, foi aplicada uma nova recomposição de 4,62%. A nota ainda menciona o anúncio do pagamento de auxílio-alimentação para as Forças de Segurança em 2025, representando um acréscimo de até 34% na remuneração.
O comunicado informa que, em 11 de março, foi enviado à ALMG um projeto de lei com a proposta de reajuste de 5,4% para todo o funcionalismo público do Estado, incluindo ativos, inativos e pensionistas. Segundo o texto, a medida prevê que a recomposição seja paga de forma retroativa a 1º de janeiro de 2026.
Por fim, o governo mencionou a recente adesão ao Propag como um reforço ao compromisso com o equilíbrio das contas públicas, visando garantir mais investimentos futuros. A nota conclui afirmando que a gestão continua trabalhando para assegurar equilíbrio fiscal, previsibilidade e a valorização do servidor público, considerados pilares para a prestação de serviços de qualidade à população mineira.
