Mateus Simões (PSD), que completa duas semanas como governador de Minas Gerais neste domingo (5), detalhou seus planos para a gestão em entrevista. Ele assumiu o cargo após a renúncia de Romeu Zema (Novo), que se dedicará à corrida presidencial. Na conversa, Simões abordou temas como a relação com servidores, segurança pública, a dívida do estado e as privatizações de estatais.
Ao comparar seu estilo com o do antecessor, Simões se descreveu como diferente. De acordo com a entrevista concedida ao jornal O Tempo, ele afirmou ter um estilo mais dinâmico. “Acho que eu e o governador temos em comum as nossas pautas. Mas nós temos estilos diferentes. Então acho que talvez o mais perceptível seja uma mudança de estilo. Eu sou mais duro que o governador, talvez seja a expressão.”
Sobre a relação com o funcionalismo público, o governador defendeu as ações da atual gestão. Ele mencionou a regularização dos pagamentos, que antes eram parcelados, e a quitação de dívidas de empréstimos consignados. “Nós pusemos os salários em dia, nós pagamos as férias-prêmio, nós tiramos o nome de todo mundo do Serasa, nós demos reajustes gerais três vezes ao longo do governo e agora nós estamos dando o quarto”, disse.
O governador também falou sobre a implementação de escolas cívico-militares, um tema que gera impasse com o Judiciário. Ele confirmou a intenção de criar mais 30 unidades do modelo Tiradentes. “A lei está aprovada. Eu tenho o orçamento, eu vou implantar as escolas. (…) Espero que a Justiça entenda o papel dela como eu entendo o meu”, afirmou Simões na entrevista ao O Tempo.
Administração, Segurança e Finanças
Na área de segurança pública, Simões anunciou a formação de 3 mil novos soldados da Polícia Militar em maio. Ele destacou que, desde o início do governo, foram contratados mais de 15 mil profissionais para as forças de segurança. “Eu também liberei um volume grande de investimentos em equipamentos que vão ser realizados ao longo das próximas semanas. Então, nós estamos falando de R$ 250 milhões”, detalhou.
O governador planeja intensificar o diálogo com os prefeitos, buscando uma interação política maior do que a de seu antecessor. Em relação à dívida do estado com a União, ele criticou a demora na avaliação dos ativos oferecidos para abatimento. Segundo Simões, o atraso custa R$ 100 milhões por mês. “É dinheiro eu estou jogando fora. Se a União respondesse mais rápido, a gente já economizava isso”, declarou.
Estatais e Cenário Político
Questionado sobre as estatais, Simões se posicionou contra a venda da Cemig, mas a favor de sua transformação em corporação para ganhar agilidade. Sobre a Copasa, ele explicou que os recursos da privatização serão investidos ao longo de cinco anos em infraestrutura, habitação e segurança, no valor de R$ 1,8 bilhão por ano, conforme previsto no Programa de Acompanhamento e Transparência Fiscal (Propag).
No cenário eleitoral, o governador afirmou que sua estratégia é de “conquista do Cleitinho”, referindo-se ao senador Cleitinho (Republicanos). Ele destacou a relação política que mantém com o senador desde 2016. “Nós nunca estivemos em lados diferentes em campanhas eleitorais. Nenhum motivo para isso começar agora”, disse Simões, indicando o desejo de uma aliança para as próximas eleições.
Sobre a corrida presidencial e a possível chapa entre Romeu Zema e Flávio Bolsonaro, Simões evitou fazer previsões. No entanto, ele garantiu seu apoio ao ex-governador. “Eu estarei do lado do governador Zema, seja qual for a decisão dele, até o final. E tenho certeza que no segundo turno todos nós estaremos ao mesmo lado contra a reeleição do presidente Lula”, concluiu.
