Foto: Divulgação/Vinícola Essenza/Régis Silva
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Minas Gerais prevê produção recorde de 300 mil litros de azeite em 2026

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Minas Gerais deve registrar uma produção recorde de azeite em 2026, com uma expectativa de 300 mil litros. Conforme informações do jornal O Tempo, a projeção da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) representa o dobro do recorde anterior, de 150 mil litros em 2024, e uma recuperação em relação aos 50 mil litros produzidos em 2025, ano afetado por condições climáticas adversas.

Luiz Fernando de Oliveira, pesquisador do Programa Estadual de Pesquisas em Olivicultura da Epamig, atribui o avanço a fatores climáticos e ao manejo tecnológico. “O inverno, em 2025, foi muito rigoroso na Serra da Mantiqueira, permitindo que as plantas florescessem. Depois do florescimento, não choveu muito no período, fez bastante sol e as plantas estavam bem cuidadas. Tudo refletiu nessa produção recorde que tivemos em 2026”, explica.

O crescimento consolida o estado como o segundo maior produtor do Brasil, atrás apenas do Rio Grande do Sul, segundo o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva). Apesar da área de cultivo menor, o cenário mineiro é de expansão e reconhecimento, com azeites da safra de 2026 já recebendo prêmios em concursos internacionais. A qualidade e o controle do processo são diferenciais da produção local.

A profissionalização do setor tem sido um fator para o avanço. De acordo com o jornal O Tempo, Minas Gerais possui cerca de 100 produtores, 25 agroindústrias e 50 marcas próprias. Aproximadamente 65% dos olivicultores estão concentrados na região da Serra da Mantiqueira, área favorecida pela altitude elevada e pelas baixas temperaturas, que são fundamentais para a floração das oliveiras.

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Daniel Fernandes, técnico do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema Faemg Senar, observa uma transformação no perfil do produtor na última década. “Eles pegavam um pasto e não faziam análise e correção de solo, aração e subsolagem. Só abriam as covas e já colocavam as mudas ali. Hoje, já entendem a importância da altitude acima de 1.150 metros, do preparo do solo, do acompanhamento técnico e do uso de mudas de qualidade.”

Destaques da produção mineira

Um dos destaques estaduais é o azeite Verolí, produzido na Serra da Mantiqueira. O projeto familiar, iniciado em 2016, cultiva 9 mil oliveiras em altitudes que variam de 1.400 a 1.700 metros. A marca foi selecionada por três anos consecutivos para o guia italiano Flos Olei e acumula medalhas de ouro em concursos internacionais na Turquia, Itália e Argentina.

“Esses reconhecimento têm múltiplas camadas. Claro que é muito importante para o produtor receber um retorno positivo, porque isso nos dá ânimo e um fôlego renovado em uma área que é muito difícil… Mas o mais importante é perceber que estamos crescendo como comunidade, como um coletivo que produz bons azeites no Brasil,” enfatiza Luana Mincoff Menegon, uma das sócias da Verolí.

Outro produto premiado é o azeite Mantikir, da Vinícola Essenza, também no Sul de Minas. A safra de 2026 foi eleita o melhor azeite do mundo pelo guia da Escuela Superior del Aceite de Oliva (ESAO), da Espanha. A produção da marca vem crescendo anualmente, com colheita manual em olivais que chegam a 1.910 metros de altitude.

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“Encaro os resultados dos concursos como forma de fortalecer a marca e representar o estado e o país. O azeite é um ingrediente comum no dia a dia, mas um óleo gastronômico, diferenciado pela natureza, precisa ser bem posicionado para ser reconhecido pela qualidade,” realça Herbert Sales, proprietário da Vinícola Essenza, conforme apurado pelo jornal O Tempo.

Identidade e mercado

A azeitóloga Ana Beloto avalia que os reconhecimentos internacionais indicam a maturidade técnica da olivicultura mineira. Segundo ela, os azeites do estado são competitivos globalmente, destacando-se pelo equilíbrio entre frutado, amargor e picância. “Frescor não é detalhe, é o que separa um azeite comum de um de excelência”, destaca a especialista em entrevista ao O Tempo.

Beloto também aponta que os azeites da Serra da Mantiqueira estão desenvolvendo uma identidade própria, marcada por notas verdes que remetem a ervas, folhas e até elementos como café verde e couve. A especialista acredita que Minas Gerais deve se consolidar no mercado pela qualidade e valorização do território, em vez de competir por volume de produção.

O crescimento da produção local ocorre em um cenário de alto consumo no país. O Brasil consome aproximadamente 100 milhões de litros de azeite por ano, sendo o segundo maior consumidor mundial, atrás apenas dos Estados Unidos. O aumento da qualidade e da oferta de azeites nacionais tem despertado o interesse dos consumidores e impulsionado o uso do ingrediente na gastronomia.

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