O Governo de Minas Gerais lançou o edital “Minas pelo Clima”, que disponibiliza R$ 50 milhões para projetos de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação. A iniciativa busca soluções para os desafios das mudanças climáticas no estado. Pesquisadores, empresas e cooperativas podem submeter propostas até o dia 11 de maio de 2026, com o objetivo de apoiar as metas do Plano Estadual de Ação Climática (PLAC-MG).
As inscrições devem ser realizadas exclusivamente por meio do Sistema Everest, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG). A chamada pública, intitulada “Minas pelo Clima: Ciência e Inovação em Apoio ao Plano Estadual de Ação Climática”, é identificada pelo número 05/2026 e detalha todos os requisitos para a participação dos interessados no financiamento dos projetos.
De acordo com informações do jornal O Tempo, a ação é uma parceria entre a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), a Secretaria de Meio Ambiente (Semad) e a FAPEMIG. Podem participar pesquisadores vinculados a Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs), além de empresas e cooperativas que estejam sediadas em Minas Gerais e que desenvolvam projetos alinhados aos objetivos do edital.
“Aliar pesquisa e desenvolvimento às ações do PLAC é uma alternativa estratégica para que soluções baseadas em ciência, com evidências validadas e resultados concretos, sejam implementadas no estado”, afirma a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa. A fala destaca a importância de embasar as ações climáticas em dados científicos para garantir a efetividade das políticas públicas implementadas.
Detalhes das propostas
Para o presidente da FAPEMIG, Carlos Arruda, a chamada evidencia a complexidade e a diversidade de possibilidades. “Uma das nossas maiores preocupações é quais tecnologias podemos desenvolver em Minas Gerais que terão relevância nesta pauta”, declara. O edital busca, portanto, estimular o desenvolvimento de soluções tecnológicas que possam ser aplicadas diretamente no contexto mineiro para a mitigação dos efeitos climáticos.
Os projetos devem apresentar pesquisas ou soluções inovadoras em setores estratégicos como agropecuária, biodiversidade, desenvolvimento sustentável, gestão de risco, indústria, povos e população vulnerável, resíduos e segurança hídrica. As propostas precisam gerar resultados concretos e aplicáveis, considerando benefícios técnicos, econômicos, sociais e ambientais para o estado, alinhados diretamente com as metas e subações do PLAC-MG.
Cada proposta selecionada poderá receber um financiamento de até R$ 3 milhões, valor que será definido conforme o perfil do projeto e seu potencial de impacto. Os eixos temáticos do edital foram estabelecidos com base nas ações e metas do PLAC-MG, garantindo que os projetos apoiados contribuam diretamente para o avanço do estado no enfrentamento aos efeitos das mudanças climáticas.
“A Inovação é um importante aspecto para que a gente tenha ações claras e tecnologias específicas para enfrentar os desafios climáticos, que são diários”, afirma o secretário de Estado Adjunto de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Diogo Franco. A visão reforça a necessidade de novas abordagens para lidar com os problemas ambientais que afetam a população e a economia mineira.
Bruno Grossi, professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), reconhece a importância do investimento público. “Editais como esses são portas abertas para que a gente continue fazendo pesquisas, buscando inovações científicas e tecnológicas nessa linha”, ressalta o pesquisador. A fala dele evidencia a perspectiva da comunidade acadêmica sobre o fomento à ciência para soluções climáticas no estado.
Plano Estadual de Ação Climática
O Plano Estadual de Ação Climática de Minas Gerais (PLAC-MG), coordenado pela Semad-MG, estabelece diretrizes e metas para tornar o estado mais preparado para as consequências das mudanças climáticas. O foco é a recuperação verde e o desenvolvimento sustentável, alinhado a compromissos globais de descarbonização, como as campanhas Race to Zero e Race to Resilience, nas quais Minas Gerais teve adesão pioneira.
O estado já implementa ações de transição energética e mitigação de impactos, como a atração de investimentos em minerais estratégicos e a regulamentação de energias sustentáveis. O governo informa que Minas Gerais conta com mais de 96% de sua matriz elétrica proveniente de fontes renováveis e já alcançou mais de 14 GW de potência fiscalizada em energia solar.
