A Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em parceria com a prefeitura de Monte Carmelo, realizou a Exposição de Ciências Móvel “O Mar em Minas”. O evento ocorreu nos dias 23 e 24 de abril no Centro Poliesportivo Camilão e foi levado às escolas do município de 4 a 8 de maio.
A exposição integra a 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O objetivo é aproximar a ciência da sociedade por meio de atividades interativas e da exposição de trabalhos científicos desenvolvidos pela Universidade.
Durante a programação, painéis ilustrados guiaram os participantes por diferentes períodos da história da Terra. A linha do tempo abrangia desde o Éon Hadeano, há cerca de 4,2 bilhões de anos, até um cenário futuro de degradação dos oceanos.
Além dos painéis, a mostra incluiu banners, amostras de rochas e minerais, areias e coleções de insetos aquáticos. Maquetes e materiais didáticos, produzidos por professores, técnicos e estudantes da UFU, compuseram o ambiente educativo e imersivo.
De acordo com o professor de Geologia da UFU, Felix Nannini, eventos como este são relevantes para provocar a reflexão sobre a relação entre os processos naturais do planeta e a exploração de recursos. A apresentação sobre o futuro dos oceanos degradados destacou a necessidade de refletir sobre a destinação dos resíduos.
Nannini afirmou que “O consumo de bens produzidos a partir de combustíveis fósseis é importante para atividades modernas essenciais. No entanto, o que se vê atualmente é um consumo exagerado de bens descartáveis”. Ele ressaltou a importância de valorizar os processos naturais e conscientizar sobre o consumo.
O professor questionou: “Quanto de resíduos sólidos descartáveis uma pessoa pode gerar durante uma semana, um mês ou um ano? E 8,3 bilhões de habitantes?”. Essa reflexão abordou o consumo e o descarte de resíduos pela população.
A iniciativa, além de conscientizar sobre a preservação dos recursos naturais, reforça o compromisso da universidade com ensino, pesquisa e extensão. Os materiais expostos, como banners e maquetes, foram desenvolvidos por meio de Atividades Curriculares de Extensão.
Nessas atividades, estudantes realizaram pesquisas em livros e artigos científicos para a construção dos materiais apresentados. As amostras de rochas exibidas foram coletadas em trabalhos vinculados a disciplinas de graduação e projetos de iniciação científica.
Para Wendel Kauê, aluno de graduação em Geologia e membro da equipe organizadora, o conteúdo da exposição reforçou seu aprendizado. Ele afirmou que “Projetos assim beneficiam nós estudantes. A gente aprende mais, se desenvolve de maneira melhor e entende o valor real do que estamos estudando”.
O estudante destacou a necessidade de aproximar as produções universitárias da comunidade, apontando uma distância entre o conhecimento acadêmico e a população. “Quando uma pessoa entra na universidade, ela passa a ter acesso a conhecimentos negados à maior parte da população”, contribuiu Kauê.
Ele mencionou um vídeo de Eduardo Marinho, artista e escritor brasileiro, que o fez refletir sobre essa distância entre a universidade e a comunidade externa. Para Kauê, projetos como “O mar em Minas” demonstram a conexão da universidade com a sociedade.
Nannini informou que o horário do evento, após as 18h, foi escolhido para permitir a participação de pessoas que trabalham em horário comercial. “É primordial mostrar para a sociedade que as universidades públicas estão a serviço da população e que podem ser lugares acessíveis à sociedade”, destacou o professor.
Ele complementou que a acessibilidade não se limita ao ingresso via vestibular, mas também à troca de informações sobre ciência, tecnologia, artes e diversos saberes. A iniciativa busca fortalecer o diálogo entre a academia e a comunidade.
Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT)
A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, realizada desde 2004, é o maior evento de divulgação científica do Brasil. Coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), ela visa aproximar a ciência da sociedade.
A programação inclui atividades de extensão como minicursos, oficinas, palestras, seminários, mostras científicas e atividades interativas. O evento busca promover a popularização da ciência e tecnologia em todo o país.
