Estudo da UFTM identifica crescimento de internações e mortes por doença hepática alcoólica no Brasil

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Um estudo sobre internações e óbitos por doença hepática associada ao álcool no Brasil, entre 2000 e 2022, foi publicado. O artigo é de autoria de pesquisadores da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM).

A publicação ocorreu na Revista de Epidemiologia e Controle de Infecção (RECI), em março de 2026. A RECI é uma publicação oficial do Núcleo de Epidemiologia Hospitalar do Hospital Santa Cruz e do Programa de Pós-graduação em Promoção da Saúde da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc).

O artigo, escrito em 2025, utilizou dados do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informações Hospitalares (SIH). Ambos os sistemas pertencem ao Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus).

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O objetivo do estudo foi analisar a evolução temporal e o perfil epidemiológico das internações hospitalares e óbitos. O foco foi a doença hepática associada ao álcool nas cinco regiões do Brasil, no período de 2000 a 2022.

Os autores do artigo são os alunos de Medicina Apollo Nobre Torres, Mirian Akiko Kawamura, Laís Vasques Bertoncini e Gustavo Tadeu Freitas Uchôa Matheus. Eles foram orientados pela professora Geisa Perez Medina Gomide, gastroenterologista e hepatologista.

A professora Geisa Perez Medina Gomide é coordenadora do Departamento de Clínica Médica da UFTM. A equipe de orientação também incluiu a enfermeira epidemiologista Fernanda Carolina Camargo e o estatístico Sérgio Antônio Zullo.

Ambos, Fernanda Carolina Camargo e Sérgio Antônio Zullo, atuam como consultores da Gerência de Ensino e Pesquisa do Hospital de Clínicas da UFTM (HC-UFTM).

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Professora Geisa Perez Medina Gomide (Foto: acervo Geisa Perez)

O artigo completo pode ser acessado através do seguinte link: https://seer.unisc.br/index.php/epidemiologia/article/view/20181

A doença hepática associada ao álcool (DHA) é a principal causa de morte atribuível ao álcool. Ela ocupa a sexta posição em internações relacionadas, e há poucos estudos sobre o tema.

Os pesquisadores consideraram essencial explorar o assunto na comunidade científica. Isso motivou o início do estudo que resultou na publicação do artigo.

A esteatose hepática afeta cerca de 90% dos etilistas. Entre 10% e 20% dos bebedores pesados crônicos desenvolvem formas graves, como hepatite alcoólica e cirrose.

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De acordo com a professora Geisa, os sintomas da DHA não são evidentes. Isso pode dificultar a identificação do problema e a busca por atendimento especializado.

Em casos leves, os sintomas podem incluir fadiga, hepatomegalia (aumento do fígado) e anorexia. Casos graves podem apresentar icterícia, ascite, febre, dor abdominal, encefalopatia hepática e hemorragia por varizes.

Foto: Acervo pessoal da Professora Bruna Zaidan (Dep.Patologia UFTM)

Segundo dados do Datasus, foram registradas 344.039 internações e 214.642 óbitos no Brasil entre 2000 e 2022. Observou-se maior frequência de internações e mortes em indivíduos do sexo masculino.

A faixa etária mais afetada foi de 40 a 59 anos. Indivíduos autodeclarados pretos ou pardos, solteiros e com baixa escolaridade também apresentaram maior frequência.

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As variações percentuais anuais (APCs) para internações e óbitos foram ascendentes em todas as regiões do país. A região Norte registrou os maiores aumentos, com 2,57% para internações e 4,95% para óbitos.

A região Sul, apesar de apresentar valores relativamente baixos de APC, possui taxas de internação e mortalidade muito acima da média nacional.

Internações e Óbitos por Região

Foram registradas 344.039 internações por DHA no Brasil entre 2000 e 2022. Isso representa uma taxa média anual de 7,8 internações por 100.000 habitantes.

A Região Sul apresentou a maior taxa de internações por DHA, com 10,5 internações por 100.000 habitantes. Em seguida, vieram as regiões Sudeste (9,0/100.000), Centro-Oeste (7,4/100.000), Nordeste (6,1/100.000) e Norte (3,6/100.000).

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Em relação aos óbitos, foram registradas 214.642 mortes por DHA no país no mesmo período. Isso corresponde a um coeficiente de mortalidade médio anual de 4,9 óbitos por 100.000 habitantes.

A Região Sul também teve o maior coeficiente de mortalidade, com 5,6 óbitos por 100.000 habitantes. As outras regiões foram Nordeste (5,5/100.000), Centro-Oeste (5,2/100.000), Sudeste (4,8/100.000) e Norte (2,2/100.000).

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O crescimento anual de internações e mortalidade por DHA foi observado em todas as regiões. No entanto, a intensidade desse aumento variou.

As regiões Sudeste e Sul mostraram uma tendência de estabilidade. Já as regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste apresentaram as maiores variações percentuais anuais (APCs).

A professora Geisa observou que essa diferença pode estar relacionada a melhorias nos serviços de saúde. Isso inclui cuidados, oportunidade e precisão diagnóstica ao longo dos 23 anos avaliados.

Outra possibilidade é a melhor operacionalização dos sistemas de informação. Isso se refere à notificação da DHA, com melhor qualificação dos registros e processamento dos dados.

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Apesar dos baixos valores de APC de internação e mortalidade, a região Sul possui taxas de internação e mortalidade muito acima da média nacional. O consumo de álcool nesta região é o mais alto do Brasil, conforme publicações anteriores.

Perfil Demográfico dos Afetados

Pesquisas anteriores indicam que o risco de internação por DHA é maior no sexo masculino. O presente estudo corrobora esses achados.

A ocorrência de internações e óbitos em homens representou 82% e 88,1%, respectivamente. A pesquisadora pontuou a preocupação com a proporção de mulheres que fazem uso crônico de álcool e desenvolvem distúrbios hepáticos.

Quanto à faixa etária, 55,6% dos pacientes internados tinham entre 40 e 59 anos. Na caracterização racial, houve equivalência entre a raça branca (35,8%) e a raça preta ou parda (35,8%).

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Os óbitos nacionais por DHA foram predominantemente em adultos de 50 a 59 anos (28,8%). Em seguida, estavam os de 40 a 49 anos (26,7%).

Esse perfil etário é consistente com pesquisas anteriores. Um estudo que analisou óbitos por doença alcoólica do fígado no Brasil de 2010 a 2016 identificou que mais da metade dos pacientes faleceu entre 40 e 59 anos.

Estado Civil e Escolaridade

Em relação ao estado civil, o perfil solteiro prevaleceu entre os óbitos. Isso sugere o impacto da falta de rede de apoio familiar na pior evolução da DHA.

Pesquisadores identificaram que o casamento é um fator protetor contra o abuso de álcool. Consequentemente, ele também protege contra doenças que têm o álcool como principal etiologia.

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A baixa escolaridade dos pacientes falecidos por DHA coincide com estudos que associam menos anos de estudo a maior chance de consumo abusivo de álcool.

No entanto, a variável escolaridade, assim como a raça, apresentou altas taxas de incompletude, variando de 16,3% a 30,5%. Isso impediu conclusões mais abrangentes sobre os valores encontrados.

A amplitude temporal do estudo (2000 a 2022) permite uma compreensão robusta das mudanças nos padrões epidemiológicos e regionais da doença. Isso representa um avanço na literatura nacional.

Células de biópsia de fígado normal (Imagem: acervo pessoal do professor Antônio Carlos Meneses)
Células de biópsia de fígado com cirrose (Imagem: acervo pessoal do professor Antônio Carlos Meneses)

A análise demonstrou o impacto do agravamento da DHA de forma ascendente em internações e óbitos nas diferentes regiões do país. A professora Geisa ressaltou a importância de ações em saúde para conter o uso abusivo de álcool.

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Pesquisas futuras poderão analisar a integração entre bancos de dados para subsidiar estratégias de controle e prevenção. Também poderão verificar a oportunidade de acesso e a sobrevida após a internação.

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