Eliseu Assis discute a persistência da lógica manicomial na Ufop

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A 14ª Semana de Saúde Mental e Inclusão Social da UFMG começou nesta segunda-feira (18) no auditório da Reitoria. Na conferência de abertura, Eliseu Assis, historiador da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), discutiu como comunidades terapêuticas atuais podem reproduzir lógicas manicomiais com uma abordagem aparentemente humanizada.

De acordo com o pesquisador, novas formas institucionais de controle têm usado termos ligados aos direitos humanos e ao cuidado para justificar práticas de confinamento e segregação. Ele baseou sua análise no estudo do antigo Hospital Colônia de Barbacena, onde mais de 94 mil pacientes foram internados entre 1903 e 1979.

Eliseu Assis, autor do livro Exilados na pátria, destacou a importância de confrontar a memória traumática com pesquisa histórica documental. Ele revelou a estrutura econômica e a “geografia da exclusão” que sustentavam o hospital, com conexões em Belo Horizonte.

Práticas de segregação em novo formato

Segundo o pesquisador, comunidades terapêuticas modernas adotam uma linguagem biomédica e jurídica para legitimar antigas práticas de exclusão. “A mudança de vocabulário esconde que essas instituições ainda focam no monitoramento moral e na segregação”, afirmou.

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Eliseu Assis usou uma metáfora para alertar sobre retrocessos nas políticas de saúde mental. “Ajustes superficiais podem mascarar a continuidade de sistemas de controle. Confinamento e tutela moral podem persistir sob o discurso da proteção terapêutica. Como diria minha avó: é um lobo vestido de cordeiro”, concluiu.

A programação da Semana de Saúde Mental e Inclusão Social está disponível no site oficial da UFMG.

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