O Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF), integrante da Rede HU Brasil, iniciou teleconsultas farmacêuticas. O serviço é destinado a pacientes com Atrofia Muscular Espinhal (AME) em tratamento com risdiplam, acompanhados pela instituição. As consultas são realizadas às segundas-feiras, desde o final de janeiro.
A AME é uma doença genética rara que afeta os neurônios motores. Ela impacta a mobilidade, incluindo movimentos respiratórios e de deglutição. Esta modalidade de consulta visa proporcionar cuidado integral e acessível, especialmente para pacientes de outros municípios.
Milene Minateli, chefe do Setor de Farmácia Hospitalar do HU-UFJF, explicou a iniciativa. “Muitos enfrentam graves dificuldades de locomoção e, por isso, quem busca o medicamento conosco é o motorista da cidade ou o familiar. Vimos, então, uma forma de atender esses pacientes através da teleconsulta”, relatou.
O acompanhamento farmacêutico, conforme Milene, contribui para o uso correto do medicamento. Isso pode reduzir complicações respiratórias, nutricionais e motoras. Também auxilia na detecção precoce de reações adversas, interações ou erros de administração, prevenindo hospitalizações.
A farmacêutica acrescenta que a teleconsulta “aumenta a adesão ao tratamento, tão importante em terapias crônicas e complexas”. Fortalece o cuidado integral e empodera o paciente e a família com orientações claras sobre administração, automonitoramento e medidas não farmacológicas.
André Luís Marinho, 37 anos, diagnosticado com AME tipo 2 na infância, participou de duas teleconsultas. Morador de Poços de Caldas, a 430 km de Juiz de Fora, ele relatou melhora após o início do tratamento com risdiplam. “Graças à medicação que comecei a tomar, eu ganhei força muscular, força respiratória e força de deglutição. A minha vida melhorou”.
Para André, a teleconsulta é fundamental para a continuidade do tratamento. “Ela facilita a vida, principalmente para quem tem dificuldade de locomoção. Em uma doença degenerativa em que não se pode fadigar os músculos, a teleconsulta passa a ser essencial”, destacou. Ele avaliou a experiência positivamente.
“As consultas foram bem esclarecedoras, o profissional não deixou dúvidas. Para mim, está muito bom. A tecnologia está para contribuir e a gente precisa usá-la a nosso favor”, concluiu André.
Tecnologia que aproxima o cuidado
De acordo com a UFJF, Fernanda Pereira, chefe da Unidade de E-Saúde do HU-UFJF, afirmou que o hospital busca ampliar o acesso aos serviços por meio da tecnologia. “As teleconsultas configuram-se como uma das principais estratégias do Programa SUS Digital”, ressaltou.
O Programa SUS Digital tem como objetivo garantir um cuidado qualificado, seguro e acessível à população, utilizando tecnologias digitais em saúde. Além da assistência farmacêutica para pacientes com AME, a teleconsulta é empregada em diversas especialidades.
Entre as especialidades que utilizam a teleconsulta estão Enfermagem, Nefrologia Pediátrica, Ginecologia, Pediatria, Serviço Social, Psicologia e o atendimento a pacientes com doenças raras. Segundo Fernanda Pereira, este modelo elimina barreiras geográficas.
A chefe da Unidade de E-Saúde complementa que a teleconsulta “permite maior regularidade no seguimento clínico, favorece o monitoramento contínuo das condições de saúde”. Fortalece o vínculo entre paciente e equipe multiprofissional, garantindo cuidado no conforto e segurança do domicílio.
