Um professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA) integra a equipe responsável pela revisão da Classificação Oficial Brasileira do Café (COB). O objetivo é modernizar o sistema de classificação do café em grão cru no Brasil. Esta atualização é considerada uma das mais importantes das últimas décadas para o setor.
O professor Flávio Meira Borém, do Departamento de Engenharia Agrícola da UFLA, faz parte do grupo técnico. Este grupo foi constituído pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para conduzir a revisão. A iniciativa busca adaptar a classificação às demandas atuais do mercado de café.
A revisão é resultado de dez anos de estudos e análises. Auditores fiscais federais agropecuários, especialistas, pesquisadores e representantes da cadeia produtiva participaram da construção da proposta. A nova COB considerará atributos positivos da bebida, além da identificação de defeitos.
De acordo com a UFLA, o professor Borém afirma que a revisão é a mais significativa em termos técnicos e regulatórios das últimas décadas. Ele ressalta que o modelo atual, regido pela Instrução Normativa nº 8 de 2003, não representa plenamente as demandas contemporâneas do setor cafeeiro.
Elton Massarollo, auditor fiscal federal agropecuário e coordenador do Grupo de Trabalho, destaca que a proposta foi elaborada com base técnica e científica. Ele afirma que os trabalhos visam consolidar as evoluções da cadeia cafeeira. O objetivo é promover a identidade, qualidade e competitividade dos cafés nacionais.
Nova Lógica Classificatória
Entre os avanços apresentados, está a simplificação da estrutura do sistema. A nova lógica substitui os seis níveis da normativa atual por uma organização baseada em grupo, tipo e categoria. A proposta também modifica a forma de avaliação física do café.
A equivalência de defeitos será substituída pela avaliação percentual em massa. Esta mudança busca ampliar a objetividade técnica da classificação. A proposta estabelece um protocolo sensorial unificado para padronizar a avaliação.
A nova classificação contemplará a diversidade dos cafés produzidos no Brasil. Também prevê a introdução de um sistema de avaliação sensorial descritiva e afetiva da bebida. Este sistema será organizado em cinco categorias, com escala de 0 a 100 pontos.
A proposta incorpora critérios de rastreabilidade e rotulagem, incluídos pela primeira vez na classificação oficial. O professor Borém enfatiza que a Nova COB propõe uma nova lógica de classificação. Esta lógica foi desenvolvida especificamente para a realidade do café brasileiro.
De acordo com a UFLA, a metodologia de avaliação física e sensorial proposta não possui paralelos no mundo. Ela foi concebida para abranger toda a diversidade dos cafés produzidos no Brasil. A iniciativa busca uma linguagem técnica mais moderna e transparente.
A proposta visa ser objetiva e coerente com a diversidade, complexidade e qualidade do café brasileiro contemporâneo. Representa um avanço para produtores, cooperativas, exportadores, indústria, classificadores, pesquisadores, comerciantes e consumidores.
A nova classificação ampliará a transparência, a padronização técnica e a segurança nos processos de comercialização e fiscalização. A construção da proposta foi embasada em um conjunto de evidências técnicas. Foram avaliadas 461 amostras de café dos principais Estados produtores brasileiros.
Estudos estatísticos conduzidos pela UFLA e consultas multissetoriais complementaram as evidências. A proposta normativa seguirá os procedimentos regulatórios previstos pelo Mapa. Isso inclui mecanismos formais de participação social.
O processo garantirá transparência e oportunidade de contribuição dos segmentos envolvidos. Na UFLA, os estudos continuarão com novas etapas de validação científica. A professora Ana Carla Marques Pinheiro, do Departamento de Ciências dos Alimentos (DCA), participará da validação da metodologia sensorial.
Juntos, eles desenvolverão um protocolo de treinamento para o uso da nova classificação. O professor Borém afirma que o avanço acompanha a evolução da cafeicultura nacional. A Nova COB é um passo para que o sistema oficial de classificação acompanhe essa evolução.
A expectativa é que a nova classificação continue contribuindo para a valorização, identidade e competitividade dos cafés do Brasil.
