O Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm) celebra 20 anos de atividades com o lançamento do livro “Mamm 20 anos: preservação, pesquisa e difusão”. A publicação, organizada pelo superintendente Aloisio Arnaldo Nunes de Castro, será lançada nesta quinta-feira, 11 de junho, às 19h, no próprio museu.
O livro, com 272 páginas, destaca as coleções de artes plásticas, bibliográficas e arquivísticas do Mamm. De acordo com a UFJF, a obra é publicada pela Editora da instituição e reflete a missão do museu em articular cultura, ensino, pesquisa, extensão e inovação.
Aloisio Arnaldo Nunes de Castro, superintendente do Mamm, ressalta que a publicação é um marco das comemorações. Ele afirma que a obra aborda diversas áreas multidisciplinares, incluindo memória, patrimônio, história da arte, museologia e acessibilidade.
A professora Yacy Ara Froner, da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), analisou a experiência do museu. Ela considera o Mamm uma referência para o pensamento crítico sobre o papel e os desafios dos museus universitários brasileiros.
Froner destaca que o museu, inspirado no legado de Murilo Mendes, reafirma seu compromisso com a arte, a ciência e a sociedade. Segundo ela, essas dimensões continuam a orientar a missão institucional do Mamm e a projetar novos horizontes para o futuro.
A reitora Girlene Alves da Silva, em sua análise sobre a história do Mamm, salienta que o livro convida ao conhecimento da trajetória institucional do museu. Ela enfatiza as relações do Mamm com a comunidade universitária, a sociedade e o campo da cultura.
A reitora também destaca a localização estratégica de Juiz de Fora na Zona da Mata mineira. Essa posição permitiu que a cidade se tornasse um centro de convergência para interesses econômicos e educacionais de uma região com mais de dois milhões de habitantes.
De acordo com a UFJF, a reitora observa que a importância da UFJF para o desenvolvimento intelectual tem sido preponderante. O Mamm, por sua vez, contribui para o fomento nas áreas artístico-cultural e de pesquisa, servindo à sociedade e ao seu desenvolvimento.
O acervo do museu inclui uma coleção de artes plásticas considerada uma das mais extraordinárias trazidas da Europa para o Brasil. Esta coleção é comparada às obras trazidas da Itália por Pietro Maria Bardi, um dos fundadores do Museu de Arte de São Paulo (MASP).
O vice-reitor Telmo Mota Ronzani aponta a coincidência entre os 20 anos do Mamm e a criação da Pró-Reitoria de Cultura. Ele destaca o compromisso formal do museu com o ensino, a pesquisa, a extensão, a cultura e a inovação, conforme seu plano museológico.
Este compromisso garante a atenção à integridade física do museu e ao conhecimento que abriga. Ronzani menciona que isso ocorre apesar das dificuldades orçamentárias que frequentemente afetam a manutenção de museus.
Marcus Vinícius Medeiros Pereira, pró-reitor de Cultura desde abril de 2024, observa a proximidade do Mamm com a comunidade. O museu mantém uma programação diversificada, baseada em seu acervo de coleções documentais, bibliográficas e artísticas de Murilo Mendes.
Essas coleções foram acrescidas por doações em diversas áreas. Medeiros afirma que a casa do poeta continua impulsionada pelo ideal desse intelectual multifacetado, cujas amizades, paixões e obras deram origem ao museu.
Medeiros reflete sobre a trajetória do Mamm, desde a doação da biblioteca do escritor em 1975 pela viúva Maria da Saudade Cortesão Mendes. Ele menciona a criação do Centro de Estudos Murilo Mendes (Cemm) com a aquisição da coleção de artes plásticas em 1994.
A fundação do museu como é conhecido hoje foi uma jornada. O museu, propriamente, originou-se em 2005, quando mudanças físicas eram necessárias. A transferência da antiga sede da Reitoria para o Campus levou a reitora Margarida Salomão a instalar um novo espaço cultural no edifício da rua Benjamin Constant.
O pró-reitor relata que a transferência do acervo do antigo Centro de Estudos Murilo Mendes (Cemm), sob a gerência da professora Valéria de Faria Cristofaro, começou em 20 de outubro de 2005. A inauguração ocorreu em 20 de dezembro do mesmo ano, culminando na criação do Mamm na nova sede.
Em 15 de junho de 2018, o Mamm foi elevado à categoria de Museu Registrado, sob a superintendência do professor Ricardo Cristofaro. De acordo com a UFJF, o museu tornou-se a primeira instituição da região e uma das primeiras do estado a receber a certificação do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), órgão do Ministério da Cultura.
Aloisio Arnaldo Nunes de Castro destaca a importância dos textos acadêmicos presentes no livro. Ele afirma que eles estimulam o diálogo com a comunidade científica e contribuem para o desenvolvimento interdisciplinar do campo dos museus, suas práticas e reflexões.
O livro inclui textos da reitora, do pró-reitor de Cultura e do superintendente do Mamm. Também há análises de Maria Cristina Oliveira Bruno, Ivan Coelho de Sá, Maciel Antonio Silveira Fonseca, Edson Munck Jr., Yacy Ara Froner, Raquel Quinet Pifano e Valtencir Almeida Passos.
Outros colaboradores são Renata Oliveira Caetano, Rodrigo Christofoletti, Martinho Alves da Costa Junior, Amanda Mazzoni Marcato Zago, Leila Maria Fonseca Barbosa e Marisa Timponi Pereira Rodrigues. Juntam-se a eles Júlio Castañon Guimarães, Renata Cristina de Oliveira Maia Zago, Fabrício da Silva Teixeira Carvalho e Carmem Lúcia Altomar Mattos, Antonio Carlos dos Santos Oliveira e José Luis Gonçalves Zacarias Junior, Bárbara Lúcia Almeida e Valéria de Faria Cristofaro.
Castro menciona que as pesquisas do projeto Reformulação da Reserva Técnica do Mamm foram aprovadas na Chamada Pública 2024 “Identidade Brasil” da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O volume também apresenta uma obra de arte em papel da artista plástica e professora Valéria Faria, do Instituto de Artes e Design (IAD).
A contribuição de Valéria Faria reafirma o entrelaçamento entre arte, memória e instituição que inspira a publicação, realizada pela Editora UFJF. A solenidade de lançamento contará com a presença do organizador e dos autores, incluindo Yacy Ara Froner.
Froner fará uma reflexão sobre a relevância desta edição comemorativa e o papel dos museus de arte universitários. Ela abordará esses espaços como locais privilegiados de produção, preservação e difusão do conhecimento.
Em celebração ao lançamento, a galeria Poliedro recebe uma exposição das obras da série Tête-à-tête – retratos elétricos, de Valéria Faria. As dez fotomontagens foram produzidas originalmente para o livro e homenageiam o poeta Murilo Mendes.
A artista Valéria Faria explica que a técnica de fotomontagem foi escolhida por sua capacidade de produzir novos significados. Isso ocorre a partir de associações de ideias, apropriações, deslocamentos e ressignificações.
Valéria descreve que o rosto de Murilo Mendes “viaja em fragmentos poéticos pinçados ao longo de sua extensa obra literária, entrelaçados a recortes de sua vibrante coleção de artes plásticas”. Ela afirma que a série presta tributo à personalidade poliédrica e provocadora do poeta.
A artista conclui que a série Tête-à-tête destaca a liberdade poética na construção de encadeamentos plásticos. Isso se manifesta em recortes de tempos e espaços subvertidos, refletindo o instinto de liberdade de Murilo Mendes.
Serviço
Lançamento do livro “Mamm 20 anos: preservação, pesquisa e difusão”
Data: quinta-feira, 11 de junho, às 19h
Local: Museu de Arte Murilo Mendes
Endereço: Rua Benjamin Constant, 790 – Centro
Entrada gratuita
Outras informações: producao.mamm@ufjf.br e (32) 2102-3583
