Junia Garrido/PBH
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Zoológico de Belo Horizonte oferece alimentação especial para casais de animais no Dia dos Namorados

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O Jardim Zoológico de Belo Horizonte realizou ações de incentivo a gestos de carinho entre os animais que vivem em pares no local, em celebração ao Dia dos Namorados. Espécies selecionadas receberam alimentos preparados para a data, ofertados em formatos especiais e visíveis aos visitantes. Os itens fazem parte da dieta regular dos animais.

Entre as espécies que receberam os alimentos estavam a arara-azul-grande, gorilas, sauim-de-coleira e jacaré do papo-amarelo. A alimentação foi oferecida a partir das 14h. A arara-azul-grande pertence a uma família de espécies monogâmicas, com união que pode durar toda a vida, e vivem em média 50 anos, podendo chegar a 80 anos.

A fidelidade das araras, que vivem em casal na natureza, representa um desafio para a conservação de espécies sob cuidados humanos, como no Zoo de BH. Muitos indivíduos do plantel são oriundos de resgates, com sequelas que impedem o retorno à natureza ou que os deixaram “viúvos” de seus parceiros.

Apesar desses desafios, o Zoo de BH tem alcançado sucesso no manejo de espécies de araras. Por meio de boas práticas de manejo e bem-estar animal, a instituição consegue parear indivíduos que já tiveram parceiros, seja na natureza ou em outras instituições.

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Três casais de araras-azuis-de-lear vivem atualmente na instituição. Esta espécie, endêmica da Caatinga Baiana, está em perigo de extinção, com aproximadamente 2.200 aves em vida livre. Das seis aves desta espécie no Zoo de BH, metade possui deficiência física devido ao comércio ilegal de animais silvestres e já se encontram pareadas.

Embora não possam retornar à natureza, esses animais possuem potencial genético para a sobrevivência da espécie. Cruzamentos futuros poderão viabilizar a reintrodução de filhotes na natureza. Este processo já ocorreu com papagaios-de-peito-roxo e papagaios-verdadeiros nascidos no Zoo de BH e reintroduzidos por meio de programas parceiros.

O pareamento das araras-azuis-de-lear é uma das ações do Zoo de BH em planos de ação para conservação. Estes planos envolvem instituições nacionais e internacionais e buscam reproduzir a espécie rara para garantir sua sobrevivência.

Histórias de fidelidade

O primeiro casal de araras-azuis-de-lear a se formar no Zoo de BH, Elisa e Franklin, é originário da natureza e vivia na Fundação Lymington, na Espanha, onde já estavam pareados. Em 1998, Franklin foi transferido para o Jardim Zoológico de São Paulo.

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Dois anos depois, em 2000, Elisa foi levada para o Zoo de Belo Horizonte. Após anos sem contato, em 2015, no Zoológico de São Paulo, ambos participaram de um flocking. Esta técnica de manejo social e reprodutivo agrupa indivíduos da mesma espécie e idade para incentivar a socialização e a escolha de parceiros.

O casal se reencontrou após 15 anos de separação e voltou a viver junto. De volta a BH, como um casal, permaneceram unidos. Mesmo após vários anos, essas aves se escolheram novamente, em meio a mais de 50 indivíduos diferentes de arara-azul-de-lear.

Conservação das espécies

O Zoo de BH registrou o nascimento de 10 filhotes de espécies distintas em 2025, a maioria ameaçada de extinção. Esses animais fazem parte de Planos de Ação Nacional (PAN’s) para conservação de espécies ameaçadas. Entre os novos habitantes estão um cervo-do-pantanal, um veado-catingueiro, um mico-leão-preto, dois saguis-da-serra-escuro, uma arara-azul-grande, três araras-canindé e uma arara-vermelha.

Os Planos de Ação Nacional para conservação de espécies visam proteger a biodiversidade brasileira. Eles mapeiam ameaças, estabelecem estratégias prioritárias e promovem populações geneticamente saudáveis por meio do pareamento de indivíduos entre instituições de todo o país.

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Esses planos abrangem centenas de espécies em risco de extinção ou ambientes vulneráveis, divididos em planos específicos. O Zoo de BH maneja 15 espécies que fazem parte desses PAN’s, com registro de reprodução bem-sucedida. Entre 2020 e 2025, nasceram mais de 20 filhotes de espécies integrantes dos Planos na instituição.

Entre as espécies que integram os PAN’s e que já se reproduziram no Zoo de BH, estão o cervo-do-pantanal, tamanduá-bandeira, sagui-da-serra-escuro, arara-azul-grande, anta, mico-leão-dourado, mico-leão-preto, lobo-guará, macaco-barrigudo e mutum-de-alagoas (espécie já extinta na natureza e primeira reprodução do Brasil sem intervenção artificial).

O Zoo de BH também participa de 17 studbooks, sendo nove nacionais e oito internacionais. Integra ainda o Programa Ex-situ da Associação Europeia de Zoos e Aquários (Gorila EEP). O grupo de gorilas do Zoo de BH é o único grupo reprodutivo da América do Sul e já gerou cinco filhotes na unidade. Atualmente, três desses indivíduos vivem em outra instituição do Brasil para, possivelmente, formar um novo grupo reprodutivo.

Studbooks são livros de registros genealógicos que funcionam como “certidões de nascimento” ou “árvores genealógicas” oficiais para espécies de animais selvagens em programas de conservação em zoológicos. De acordo com a Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica, a manutenção do bem-estar animal é fundamental para a reprodução de espécies sob cuidados humanos.

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Sandra Cunha, bióloga, gerente do Jardim Zoológico de BH e diretora de Zoobotânica da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica, destaca que a atuação do Zoo de BH nos Planos de Ação Nacionais e o sucesso reprodutivo reforçam a expertise da equipe técnica e o propósito de contribuir para a preservação da biodiversidade.

Programação do Dia dos Namorados no Zoo de BH

A programação de alimentação especial para o Dia dos Namorados no Zoo de BH ocorreu nos seguintes horários:

  • 14h – jacaré do papo amarelo
  • 14h30 – sauim-de-coleira
  • 15h – gorilas
  • 15h30 – arara-azul-grande

Os horários são aproximados. Recomenda-se chegar aos recintos com antecedência. Para garantir a observação dos animais e preservar seu bem-estar, é solicitado que os visitantes mantenham silêncio e evitem tentar chamar a atenção dos animais.

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