Horacio, um jovem venezuelano de 13 anos que mora em Belo Horizonte, participou de uma simulação de missão espacial em Brasília. O evento, chamado Moon2, foi realizado pela Wogel Brasil entre os dias 12 e 14 de junho. Ele foi um dos oito jovens selecionados para o treinamento, que reproduziu atividades de exploração lunar, como as da missão Artemis II.
“Eu gosto muito de foguetes, de participar de olimpíadas científicas e de aprender sobre o espaço”, afirma Horacio Neptaly Rojas Conde. Ele é cientista cidadão da Nasa, com credenciamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e possui medalhas em olimpíadas científicas. O jovem também é membro da Liga Latino-Americana de Astronomia (LIAstra) e de entidades para estudantes de alto rendimento.
De acordo com informações do jornal O Tempo, Horacio foi um dos oito jovens selecionados para a missão Moon2 e recebeu uma bolsa que cobriu despesas de hospedagem e alimentação. O treinamento incluiu atividades como simulações de campo, lançamento de foguetes, operações com drones e uma missão simulada de exploração na superfície lunar. Ele foi o primeiro estrangeiro a participar.
“Foi uma experiência muito intensa. Em um dos momentos, fui a vítima da missão de resgate, e os outros participantes tiveram que realizar todos os procedimentos de atendimento”, relata o jovem sobre a simulação.
Trajetória e formação em Minas Gerais
A mãe do jovem, Yaksibith Yohana Conde Artigas, de 44 anos, percebeu o interesse do filho pela astronomia após a família se mudar para Belo Horizonte. Eles migraram da Venezuela em 2019. Segundo ela, a curiosidade demonstrada pelos filhos na escola pública os motivou a buscar por mais oportunidades de desenvolvimento para eles, apesar das dificuldades iniciais.
A família conseguiu um computador e Horacio foi selecionado como embaixador de projetos para jovens. Ele foi escolhido entre 2 mil crianças para se tornar aluno do Instituto Ponte, que identifica estudantes de escolas públicas e oferece oportunidades de desenvolvimento. Atualmente, ele possui uma bolsa de estudos no Colégio Loyola e estuda violino e xadrez no Sesc Palladium.
Embora seu interesse seja a área espacial, Horacio pretende se tornar engenheiro. “Quero que muitas crianças migrantes, assim como eu, entendam que podem sonhar alto. O Brasil tem oportunidades incríveis e a ciência pode transformar vidas”, finaliza o jovem.
