Juiz de Fora sediará o 20º Congresso Brasileiro de Limnologia (CBL) entre os dias 20 e 24 de julho, na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). O evento reunirá participantes de todos os estados brasileiros, de outros países da América do Sul, dos Estados Unidos e da Europa para discutir temas relacionados à água.
O congresso disponibilizará 300 vagas gratuitas por dia para a participação da sociedade civil. O objetivo é enriquecer os debates com a pluralidade de ideias e realidades, permitindo que não especialistas assistam a palestras e workshops.
A limnologia é a ciência que estuda rios, lagos, reservatórios e áreas alagadas. Segundo Nathan Barros, o encontro visa unir forças de diversas áreas e países para desenvolver estratégias de gerenciamento de água doce no continente.
Barros explica que o congresso abordará a água sob as perspectivas da ciência, gestão e política. Serão discutidos temas como a água para produção de alimentos, agricultura, geração de energia e outros usos e conflitos.
A proposta é integrar debates entre a ciência, o poder público, a gestão e, pela primeira vez nesta edição, a sociedade civil. Esta abordagem busca cruzar olhares que normalmente não se encontram no mesmo ambiente de discussão.
De acordo com a Organização Mundial das Nações Humanas (ONU), o mundo enfrenta uma crise hídrica global. Quase metade da população mundial não possui acesso suficiente à água para atender às necessidades básicas.
A crise é caracterizada pela coexistência de escassez e excesso destrutivo de água. Mudanças climáticas causam temporais e enchentes, enquanto a infraestrutura obsoleta e a gestão ineficiente resultam em desperdício de água tratada.
A poluição por esgoto e efluentes industriais degrada mananciais, inviabilizando o consumo e agravando o desabastecimento. Essas consequências não afetam a população de forma uniforme, evidenciando desigualdades sociais.
Nathan Barros, professor do Departamento de Biologia da UFJF e integrante da comissão organizadora, destaca a desigualdade social no problema da água. “A água, quando ela começa a faltar, ela falta primeiro para as pessoas mais carentes”, afirma Barros.
Ele observa que isso ocorre “praticamente em todos os modelos onde a exploração da água é privada”. Para combater essa assimetria, o comitê organizador buscou remediar as disparidades estruturais durante o congresso.
Barros explica que o planejamento das atividades priorizou a pluralidade e a representatividade. “Em várias das discussões, foi levado em consideração a representatividade de povos discriminados”, disse.
As mesas redondas contarão com a participação de quilombolas, indígenas, brancos, pretos e pardos. Essa preocupação também se estendeu à equidade de gênero e à renovação geracional.
O pesquisador afirma que houve um esforço para balancear a participação de mulheres e homens, além de incluir a representação da juventude no evento. O objetivo é discutir o racismo ambiental nas questões hídricas e mitigar impactos históricos.
Para garantir a acessibilidade, o evento oferecerá audiodescrição e intérprete de libras nas palestras. Além disso, haverá tradução simultânea para as palestras em inglês.
A iniciativa de abrir o congresso à sociedade partiu de uma conversa entre Barros e Girlene Alves, reitora da UFJF. A ideia era que o evento fosse acessível a todos.
Diariamente, 300 vagas gratuitas de visitante estarão disponíveis para qualquer pessoa interessada em participar. O cadastro deve ser feito diretamente no credenciamento, no dia do evento.
Um dos destaques da programação será na terça-feira, 21, com o painel “Brasil rumo à Conferência Mundial da Água”. O painel discutirá os seis eixos centrais da conferência da ONU sobre o tema.
Os eixos incluem água para as pessoas, água para o planeta, água para a prosperidade, água para a cooperação, água para processos multilaterais e investimento para a água. O resultado da plenária será levado como proposta do Brasil ao encontro internacional.
Barros impôs duas exigências para trazer o congresso a Juiz de Fora. A primeira foi logística: que todas as atividades ocorressem em um único espaço, durante os quatro dias, para favorecer o encontro entre os participantes.
A segunda exigência foi que o evento gerasse um resultado concreto. Dessa condição surgiu a proposta da Carta de Juiz de Fora, um documento final discutido e aprovado em plenária.
A Carta de Juiz de Fora reunirá cientistas, gestores e representantes do poder público em torno de propostas para enfrentar os problemas relacionados à falta e ao excesso de água no Brasil.
Programação do Evento
As atividades terão início na segunda-feira, 20, com a palestra “Imaginários da Sustentabilidade”, conduzida pelo professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e curador do Museu do Amanhã, Fábio Scarano.
Na quarta-feira, 22, o evento contará com a conferência do professor Alexandre Turra, especialista em pesquisas oceânicas no Brasil. Haverá também debates sobre o Programa Ecológico de Longo Prazo (PELD) com ecólogos e limnólogos do país.
No mesmo dia, uma mesa debaterá a restauração ecológica de rios e riachos, com a participação de lideranças indígenas, pesquisadores da Holanda e gestores públicos da Agência Nacional de Águas (ANA).
A quinta-feira, 23, terá forte presença internacional. Os doutores Alex Flecker (Universidade de Cornell) e Andreia Encalada (Universidade San Francisco de Quito) abordarão conectividade, clima e biodiversidade na Amazônia.
O Dr. Paul Del Giorgio (Universidade de Montreal) discutirá o ciclo do carbono em ambientes boreais e os impactos de reservatórios nas mudanças climáticas. A Dra. Mariana Meerhoff (Universidade da República) falará sobre a resiliência de ambientes frente a eventos extremos.
O dia ainda incluirá sete mesas-redondas sobre temas como poluição por microplásticos, algas nocivas e os desafios ambientais do Pantanal. A programação visa cobrir uma ampla gama de tópicos relevantes para a limnologia.
A sexta-feira, 24, encerrará o congresso com a mesa “Água, agronegócios, desafios da sustentabilidade”. Participarão o Dr. Francisco Barbosa (Universidade Federal de Minas Gerais), o reitor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Dr. Demétrio Silva, o ex-presidente do CNPq, Dr. Evaldo Vilela, e o chefe-geral da Embrapa Cerrados, Dr. Jorge Werneck.
Serviço
Data: 20 a 24 de julho de 2026
Local: Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Informações gerais e programação: 20° Congresso Brasileiro de Limnologia (CBL)
