Foto: Flavio Tavares/O Tempo
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Estudo indica aumento de peixes invasores no Rio Doce após tragédia de Mariana

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Uma pesquisa da Universidade Federal de Lavras (UFLA) indica que, quase uma década após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, a bacia do Rio Doce registrou um aumento de peixes invasores. O estudo aponta que espécies nativas continuam com dificuldade para se restabelecer após a passagem da lama de rejeitos, o que alterou o ecossistema do rio.

O levantamento avaliou cerca de 65 espécies de peixes em vários trechos da calha principal do Rio Doce. De acordo com informações do jornal O Tempo, os pesquisadores identificaram que os locais mais próximos da área atingida apresentam uma oferta menor de recursos alimentares para a fauna aquática, favorecendo a expansão de animais mais adaptáveis em detrimento daqueles com hábitos alimentares específicos.

Entre as espécies que mais se proliferaram na bacia estão as tilápias, os tucunarés, as piranhas e um tipo de lambari não nativo. Esses animais competem por alimento e podem predar espécies locais, tornando a recuperação do ecossistema mais lenta. Atualmente, os peixes exóticos já correspondem a cerca de um quarto das espécies encontradas em toda a bacia hidrográfica.

Em alguns dos trechos monitorados, o percentual de espécies invasoras chega a representar metade da população de peixes. A pesquisa foi coordenada pelo professor Paulo Pompeu, do Instituto de Ciências Naturais da UFLA, que aponta o controle desses animais como um dos principais desafios para restaurar a biodiversidade do rio, uma vez que sua remoção completa é considerada inviável.

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Afluentes funcionam como refúgio para espécies

Apesar do cenário, o levantamento identificou que em áreas mais distantes do ponto de rompimento da barragem, espécies nativas voltaram a ser encontradas. O fenômeno é atribuído à influência de rios afluentes que se mantiveram preservados e funcionaram como refúgios para a fauna aquática, permitindo que os peixes locais recolonizassem gradualmente trechos do rio principal à medida que a qualidade da água melhora.

O professor destaca que rios como o Santo Antônio, o Manhuaçu e o Piranga foram fundamentais para evitar perdas ainda maiores. Essas áreas mantiveram populações de peixes nativos que, aos poucos, voltam a ocupar a calha principal do Rio Doce. A continuidade das ações de recuperação ambiental é vista como determinante para acelerar esse processo de restauração ecológica na região.

Entre as medidas consideradas essenciais para a recuperação estão o tratamento de esgoto lançado nos rios, a remoção dos rejeitos remanescentes e a recuperação da vegetação nas margens. O pesquisador lembra que o Rio Doce já enfrentava problemas ambientais antes do desastre de 2015, como desmatamento e poluição, cenário que foi agravado pelo rompimento da barragem de Fundão.

Publicação e contexto do desastre

As conclusões da pesquisa fazem parte do livro “Recuperação Ambiental da Bacia do Rio Doce: Contribuições da Ciência Após Dez Anos do Rompimento da Barragem de Fundão”. A obra, com lançamento previsto para setembro, reúne estudos sobre os efeitos ambientais do desastre e os desafios para a restauração de um dos principais rios de Minas Gerais e do país.

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O desastre de Mariana ocorreu em 5 de novembro de 2015, quando a barragem de Fundão, da mineradora Samarco, controlada pela Vale e pela BHP, se rompeu. O evento liberou cerca de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração, que destruíram comunidades, resultaram em 19 mortes e percorreram toda a bacia do rio Doce até o litoral do Espírito Santo.

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