Teve início nesta quinta-feira, 30 de julho, o NINHO 2026, um encontro focado no fortalecimento das estratégias de combate ao tráfico de animais silvestres. A Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa), em parceria com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), promove a segunda edição do evento.
As discussões ocorrem em Belo Horizonte e no Instituto Inhotim, abordando estratégias integradas para enfrentar organizações criminosas envolvidas no tráfico de animais silvestres. O evento reúne membros do Ministério Público, magistrados e gestores públicos ambientais de diversos órgãos e estados brasileiros.
O tema central do NINHO 2026 é “Elo entre lavagem de capitais, o tráfico de fauna e organizações criminosas”. O evento inclui debates e atividades práticas para aperfeiçoar a atuação institucional no combate a essa modalidade de crime organizado, que gera impactos na biodiversidade.
De acordo com Luciana Imaculada, coordenadora estadual de Defesa dos Animais do MPMG e promotora de Justiça, o combate a esse tipo de crime exige articulação interinstitucional. Ela afirma que “nenhum órgão isoladamente consegue enfrentar uma criminalidade com estrutura em rede”.
A promotora de Justiça também destacou que a criminalidade “atravessa territórios, movimenta recursos, utiliza plataformas digitais, oculta ganhos econômicos e impõe sofrimento concreto aos animais e perdas graves à biodiversidade”. O NINHO serve como um espaço para aproximação e articulação das instituições.
O evento busca aperfeiçoar instrumentos jurídicos, métodos de investigação, formas de valoração de danos e estratégias de responsabilização. Luciana Imaculada ressaltou que o encontro foi estruturado para discutir um crime complexo, com uma cadeia econômica ilícita.
Essa cadeia é “sustentada por intermediários, compradores, rede de transporte, falsificação documental, circulação de dinheiro e, em muitos casos, estruturas organizadas”. A procuradora-geral de Justiça adjunta jurídica, Reyvani Jabour Ribeiro, representou o procurador-geral de Justiça, Paulo de Tarso Morais Filho.
Reyvani Jabour Ribeiro enfatizou a capilaridade do tráfico de animais silvestres. Ela afirmou que “não é um crime isolado”, mas uma atividade lucrativa que “movimenta redes criminosas transnacionais, financia outras modalidades delituosas”.
A procuradora-geral adjunta jurídica acrescentou que o tráfico “alimenta esquemas sofisticados de lavagem de dinheiro e compromete, não apenas a biodiversidade, mas também a segurança pública, a economia e o estado de direito”.
Programação do Evento
Ao longo de dois dias, o evento discute estratégias para enfrentar o tráfico de animais silvestres. A abordagem considera as conexões com a lavagem de capitais e outras atividades criminosas. O objetivo é estimular o intercâmbio de experiências, metodologias investigativas e boas práticas entre os participantes.
A programação teve início na Unidade de Combate ao Crime e à Corrupção (UCC) do MPMG, com atividades práticas para aprimorar as investigações. Os participantes acompanharam a oficina “Valoração de Danos à Fauna (Quantifauna)”, conduzida pelo Instituto Arbo.
Também foi ministrada a oficina “Tráfico de Animais Silvestres: desafios e possibilidades de abordagem”, pelo promotor de Justiça Alex Fernandes Santiago (MPMG). Ao final do primeiro dia, ocorreu uma visita técnica ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama.
Na visita ao Cetas, foi possível conhecer os procedimentos de recebimento, reabilitação e destinação dos animais apreendidos em operações de combate ao tráfico. No segundo dia, o encontro acontece no Instituto Inhotim, em Brumadinho.
A diretora executiva da Freeland Brasil, Juliana Machado, realiza a palestra “O tráfico de fauna: um crime multifacetado”. Em seguida, o desembargador Henrique Abi-Ackel Torres (TJMG) e o procurador da República Galtiênio da Cruz Paulino (MPF) abordarão as conexões entre crime ambiental, lavagem de capitais e organizações criminosas.
Posteriormente, o desembargador convocado ao STJ Felipe Remonato (TJMA), o promotor de Justiça Kleber Valadares (MPAL) e a promotora de Justiça Aline Archangelo (MPBA) apresentarão os resultados da Operação Libertas 2025.
Eles também discutirão os desafios da legislação relacionada ao tráfico de fauna. A Operação Libertas foi realizada pela Abrampa, por meio de seu projeto Libertas, e pelo MPMG, com articulação com MPs estaduais, órgãos de fiscalização ambiental e polícia ambiental.
A operação abordou 84 alvos de tráfico de fauna silvestre e resgatou mais de 750 animais em 11 estados. A programação da segunda edição do NINHO também incluiu a palestra da coordenadora de Gestão de Parques e Biodiversidade Municipal da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo (SVMA), Juliana Summa.
Juliana Summa abordou o processo de destinação dos animais apreendidos em operações. Ao final do encontro, ocorrerá a soltura de animal silvestre pelo Ibama e a apresentação do projeto Cativeiro, realizada pelo Instituto Arbo.
O NINHO 2026 é uma realização da Abrampa, por meio do projeto Libertas, da Freeland Brasil em conjunto com o Escritório Internacional de Narcóticos e Aplicação da Lei (INL). O evento conta com o apoio do MPMG, por meio do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente (Caoma) e da Coordenadoria Estadual de Defesa dos Animais (Ceda), e do Instituto Inhotim.
