A Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) obteve a terceira melhor taxa de aprovação entre as universidades federais de Minas Gerais na Chamada 01/2026 – Demanda Universal da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), com nove projetos de pesquisa aprovados, totalizando mais de R$ 1,7 milhão em recursos.
Os projetos aprovados serão executados nos próximos 36 meses e abrangem áreas como tratamento de doenças tropicais negligenciadas, formação de professores, materiais para armazenamento de energia e monitoramento climático no Geoparque de Uberaba.
De acordo com a FAPEMIG, a chamada representa a maior já realizada nessa modalidade, com um orçamento de R$ 105 milhões. Os resultados foram divulgados em duas etapas distintas.
A Categoria B, destinada a projetos desenvolvidos por grupos com pelo menos três doutores, teve seus resultados publicados em 13 de julho. Já a Categoria A, voltada para projetos individuais, teve a divulgação em 12 de agosto.
Júlio Gonçalves, Pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação da UFTM, afirmou que a aprovação de nove projetos na chamada da FAPEMIG reforça a capacidade científica da universidade e amplia o financiamento para a pesquisa.
Ele destacou que “esses recursos possibilitam empregá-los na distribuição de bolsas, investir na formação de mestres, doutores e pesquisadores qualificados, consolidando a UFTM como referência regional em ciência e inovação.”
A UFTM submeteu 72 propostas e teve 9 aprovadas, alcançando uma taxa de 12,5%. Este resultado a posicionou como a terceira melhor entre as onze universidades federais de Minas Gerais.
A Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) ficou em primeiro lugar, com 17,6% de projetos aprovados, seguida pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com 13,9%.
A UFTM foi a instituição que menos submeteu propostas entre as federais mineiras, mas mesmo assim garantiu a terceira posição em número de projetos aprovados.
Na Categoria B da chamada da FAPEMIG, a Universidade Federal do Triângulo Mineiro registrou a segunda melhor taxa de aprovação, com 11,5%. A média da ampla concorrência nesta categoria foi de 7,0%.
Do total de propostas submetidas pelas universidades federais, a UFTM foi responsável por 2,9% e conquistou 3,7% dos recursos, sendo uma das quatro universidades federais do estado nessa condição.
Três dos nove projetos aprovados foram contemplados com a Bolsa Especial de Iniciação Científica e Tecnológica nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (BIC-STEM).
Esta bolsa especial é concedida a propostas que incorporam tecnologias de Inteligência Artificial. A proporção de 33% na UFTM supera a média geral da Categoria A, que foi de 17,7%.
Dois dos três projetos que envolvem Inteligência Artificial alcançaram o primeiro lugar em suas respectivas câmaras de avaliação.
Dentre os projetos que envolvem I.A. estão a validação de um aplicativo móvel para análise da variabilidade da frequência cardíaca e detecção de arritmias por Inteligência Artificial, coordenado pelo professor Luciano Fonseca Lemos de Oliveira.
Outro projeto é sobre educação midiática e desenvolvimento da fluência em IA na formação de professores, coordenado pela professora Alexandra Bujokas de Siqueira. Há também o desenvolvimento e aplicação de nanomateriais avançados para o tratamento de doenças tropicais negligenciadas, coordenado pelo professor Marcos Vinícius da Silva, que foi classificado em primeiro lugar em sua câmara de avaliação.
Dois projetos aprovados na Categoria B alcançaram a primeira colocação em suas respectivas câmaras: “Desenvolvimento e aplicação de nanomateriais avançados no tratamento de doenças tropicais negligenciadas” e “Filmes nanoestruturados com arquitetura controlada para dispositivos de armazenamento de energia e biossensoriamento”.
Para Marcos Vinícius da Silva, coordenador do projeto “Desenvolvimento e aplicação de nanomateriais avançados no tratamento de doenças tropicais negligenciadas”, a aprovação pela FAPEMIG é relevante para uma área que historicamente recebe investimentos abaixo de sua importância para a saúde pública.
O projeto recebeu mais de R$ 400 mil, que serão utilizados para fortalecer uma área estratégica ainda carente de inovação terapêutica. Doenças como Chagas e Leishmanioses são exemplos de doenças tropicais.
Marcos Vinícius da Silva ressaltou que “Agências de fomento como a FAPEMIG têm grande importância no financiamento da ciência, colaborando para a geração de conhecimento e construção de bases científicas necessárias para que alternativas terapêuticas mais eficazes e seguras possam ser desenvolvidas e revertidas à população”.
A conexão da pesquisa com a região de Uberaba também está presente entre os projetos aprovados. O projeto coordenado pelo professor Leandro de Godoi Pinton implantará uma rede de monitoramento da temperatura do ar no Geoparque Global da UNESCO de Uberaba – Terra de Gigantes.
Este projeto gerará subsídios para a sustentabilidade e a resiliência climática da comunidade local. Leandro Pinton afirmou que “O financiamento da FAPEMIG permitirá materializar uma estrutura permanente de observação do clima térmico local e a construção de uma base científica capaz de apoiar novas pesquisas e estratégias de adaptação e resiliência climática”.
O projeto “Rede de monitoramento da temperatura do ar no Geoparque Global da UNESCO de Uberaba – Terra de Gigantes” está alinhado com as diretrizes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
O IPCC reconhece a implementação de redes de monitoramento do ar como relevantes para a compreensão do clima térmico urbano e suas interações com as mudanças climáticas do Sul Global. O professor Iain D. Stewart, da Universidade da Colúmbia Britânica (Canadá), participará do projeto.
Os nove projetos aprovados abrangem áreas como oncologia experimental, fisiologia do exercício, educação matemática, educação midiática, física de materiais, serviço social, geografia e biotecnologia.
Em termos de valores, a UFTM registrou uma média de R$ 190,9 mil por projeto aprovado, a segunda maior entre as universidades federais de Minas Gerais.
