Estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolveram um protótipo elétrico com eficiência de 469,7 km/kWh, o que equivale a um custo de R$ 1 em energia. O veículo participa da edição brasileira da Shell Eco-marathon, no Rio de Janeiro, onde outra equipe mineira, da UFSJ, também compete com um modelo de conceito urbano.
A marca de 469,7 km/kWh foi alcançada na etapa norte-americana da competição. De acordo com informações do jornal O Tempo, o estudante Gabriel Mora Bissoli, da UFMG, explica que o resultado é uma projeção. “O carro roda cerca de 10 quilômetros e, a partir da energia que gastou nesse percurso, a gente calcula quanto ele conseguiria rodar com 1 kWh”, detalha.
A equipe Milhagem, da UFMG, acredita ser possível aumentar a eficiência do veículo. O protótipo passou por alterações desde a competição nos Estados Unidos para tentar superar o resultado. Os estudantes, no entanto, mantêm os detalhes em segredo. “Fizemos algumas mudanças pensando justamente em melhorar a eficiência e tentar superar a nossa marca. O que mudou eu não vou contar agora para não dar spoiler”, brinca o estudante.
Foco em peso e aerodinâmica para maior eficiência
O desenvolvimento do protótipo envolve pesquisas para reduzir o consumo de energia. A escolha de materiais, a aerodinâmica e os componentes do veículo são pensados para diminuir as perdas. Segundo o estudante, o resultado é um carro com visual diferente dos modelos de rua, onde peso e resistência ao deslocamento são minimizados para que menos energia seja consumida para o avanço.
“Quase tudo a gente consegue retirar para os carros convencionais. Já tem sistemas que a gente utiliza nesses carros que são usados na vida real, como o start-stop, que basicamente desliga o motor quando você não está usando. Quando para o carro, ele desliga o motor e, quando começa a acelerar, liga de novo”, explica Gabriel.
O estudante também cita soluções de engenharia que fazem parte da busca da indústria por veículos mais econômicos. “Tem outras coisas, como aerodinâmica, conceito de freios, toda a parte mecânica do carro e redução de peso. Tudo isso a gente consegue aplicar nos carros na vida real”, detalha o jovem sobre as tecnologias desenvolvidas pela equipe.
Categoria Conceito Urbano exige características de carros de rua
A Shell Eco-marathon também possui uma categoria com veículos mais próximos dos modelos de rua, a Conceito Urbano. Nela, os projetos têm quatro rodas e precisam aliar baixo consumo com características de um carro convencional. A equipe e-CAP, da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), do Campus Alto Paraopeba, compete nesta categoria com um modelo elétrico.
De acordo com Walif Duarte, estudante de Engenharia Mecatrônica e capitão da equipe, a configuração muda o desafio. “O mais próximo possível, na Shell, que você vai ver de um carro popular são os conceitos urbanos. A gente tem luz de freio, freio a disco nas quatro rodas, tem uma caixa lá atrás que é o nosso porta-malas”, explica.
A segurança no modelo da e-CAP inclui um cinto de cinco pontos. No entanto, quanto mais componentes são adicionados, maior o desafio para manter o peso baixo. A escolha dos materiais é central no projeto, e a equipe utiliza fibra de vidro por questões de custo, embora a fibra de carbono seja mais leve e resistente, impactando a eficiência.
O Conceito Urbano da e-CAP custou cerca de R$ 22 mil, valor obtido por meio de ações de captação e patrocínios. “É tudo captação nossa. A gente tem que fazer rifa, buscar patrocínio. Existem carros muito mais caros aqui na Shell por questão de carenagem. A gente ainda não chegou nesse nível”, conta Walif.
Para Walif, a experiência aproxima os estudantes dos desafios da indústria automobilística. Ele também reflete sobre a importância de não focar apenas em uma fonte de energia. “Eu espero que o nosso futuro possa abraçar mais causas, não só a questão do elétrico. A gente tem que aprender a enxergar com novos olhos”, afirma.
