O Instituto Flávia Abubakir, que possui um acervo com mais de 60 mil obras raras, está disponibilizando a íntegra de alguns de seus documentos e primeiras edições de livros para consulta online gratuita. O material, que inclui publicações dos séculos 16 a 19, pode ser acessado por meio da biblioteca digital da instituição.
De acordo com informações do jornal O Tempo, entre as publicações disponíveis estão obras ligadas à história do Brasil e a colônias portuguesas. Destacam-se a primeira gramática da língua guarani, de 1640, composta pelo padre jesuíta Antonio Ruiz, e a primeira edição do relato de viagem do alemão Hans Staden pelo Brasil, “Warhaftige Historia”, de 1557.
O acervo digitalizado também inclui o primeiro livro impresso no continente africano, “Tur Yoreh De’ah”, uma compilação da lei judaica em hebraico, datada de 1516. A iniciativa visa democratizar o acesso a itens que, por sua fragilidade, exigem cuidados especiais de manuseio, tornando a consulta física restrita para o público geral. A consulta online é feita por meio de um leitor no estilo “flipbook”.
A diretora do instituto, Angela Ferreira, explica que a digitalização é fundamental para a preservação. “Com registros digitais de alta definição, há a redução do manuseio das obras originais, o que colabora para a sua conservação e otimiza processos da documentação museológica. As obras são fotografadas com extrema cautela, sem flash, respeitando a composição dos papéis, que são diferentes entre si”.
Outras obras notáveis que foram disponibilizadas são o “Tratado de inflamação, feridas e úlceras, extraído da nosografia cirúrgica de Anthelmo Richerand”, de 1818, e a única edição de um registro sobre a situação dos muçulmanos no Brasil, de 1871. O atlas “Skizzen zu dem Tagebuch”, com gravuras do príncipe Adalbert da Prússia sobre o país, também está entre os destaques.
Fundado em 2021, o Instituto Flávia Abubakir possui sedes em Salvador e em Crans-Montana, na Suíça. A instituição adquiriu recentemente o acervo do colecionador americano Richard C. Ramer, que se dedicou a reunir livros e documentos raros. Este conjunto inclui 684 itens impressos no século 19, que também serão gradualmente publicados online para consulta pública.
“A democratização do acesso ao patrimônio cultural promove o diálogo intercultural, fortalece as ações de educação patrimonial, incentiva a produção científica e principalmente, amplia o contato de diferentes públicos com o conhecimento”, afirma Ferreira.
