Imagem ilustrativa - plantas medicinais - camomila. (Foto: Canva Education)
Imagem ilustrativa - plantas medicinais - camomila
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Acadêmicas do curso de Ciências Biológicas – Licenciatura da UNIFAL-MG desenvolveram uma experiência pedagógica. Esta iniciativa utilizou conhecimentos familiares sobre plantas medicinais para contextualizar o ensino de Botânica. As atividades ocorreram em seis turmas do Ensino Médio de uma escola em Alterosa-MG.

As ações incluíram questionários, aula dialogada, pesquisas em grupo, entrevistas com familiares e apresentações dos estudantes. Os resultados indicaram uma ampliação do repertório dos alunos sobre as plantas. Houve também um aumento do interesse de parte dos participantes em continuar aprendendo sobre o tema.

Registro da defesa do TCC, realizada em julho de 2026: Aline Rute Eleutério, Aléxia Victória de Brito Machado, professora Luisa Dias Brito e Maria Gabriely Silva Rocha. (Foto: Arquivo/Grupo)

A sequência didática faz parte do trabalho de conclusão de curso intitulado “Plantas medicinais no ensino de Botânica: uma ferramenta didática para o Ensino Médio”. Ele foi desenvolvido por Aléxia Victória de Brito Machado, Aline Rute Eleutério e Maria Gabriely Silva Rocha. A orientação foi da professora Luisa Dias Brito, do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL).

A experiência pedagógica alcançou 142 estudantes do segundo e terceiro anos do Ensino Médio. A aplicação ocorreu na Escola Estadual Bolívar Boanerges da Silveira, localizada em Alterosa.

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A escola de Alterosa foi selecionada por atender estudantes da área urbana, rural e do distrito de Cavacos. Muitos desses alunos já possuíam contato prévio com plantas medicinais e conhecimentos transmitidos entre gerações. Uma das autoras também estudou na instituição, o que proporcionou familiaridade com a comunidade escolar.

Da experiência familiar à investigação em sala de aula

Dos 142 estudantes das seis turmas, 136 participaram da atividade investigativa. Foram produzidos 25 trabalhos em grupo. Além da pesquisa, os grupos realizaram 25 entrevistas com 27 familiares ou membros da comunidade. O objetivo era registrar conhecimentos sobre o uso tradicional das espécies. Os resultados foram apresentados em seminários e vídeos feitos pelos próprios alunos.

Escola Estadual Bolívar Boanerges da Silveira em Alterosa, onde a sequência didática foi aplicada. (Foto: Arquivo/Grupo)

Conforme explica a professora Luisa Brito, as atividades foram organizadas em quatro encontros. Eles ocorreram entre outubro e dezembro de 2025. Inicialmente, os estudantes responderam a um questionário diagnóstico sobre plantas medicinais e sua percepção da Botânica.

Em seguida, participaram de uma aula expositiva dialogada. O tema abordado foi a história e a importância cultural dessas plantas, seus princípios ativos, aspectos morfológicos e biodiversidade. Os conteúdos também foram relacionados a temas de Botânica presentes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

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De acordo com a UNIFAL, os temas incluíram grupos vegetais e conceitos de fruto, pseudofruto e fruta. “As acadêmicas relacionavam com temas que são cobrados no Enem para despertar maior interesse dos estudantes e relacionar com os conteúdos vistos anteriormente com a professora regente”, conta a professora Luisa Brito.

Após essa etapa, os estudantes foram divididos em grupos e receberam espécies de plantas medicinais para investigar. “A atividade consistiu na pesquisa da planta específica do grupo, com as características morfológicas, nome científico, origem, princípio ativo, usos e aplicações e a sua importância cultural e econômica”, explica a professora.

Além da pesquisa, os estudantes produziram vídeos sobre as espécies estudadas. Nesses vídeos, reuniram características botânicas, formas de utilização, curiosidades e relatos de familiares ou pessoas da comunidade sobre usos tradicionais. “Essa atividade buscou valorizar os conhecimentos populares e aproximar o conteúdo escolar da realidade vivenciada pelos alunos”, relata a orientadora.

Aléxia Victória de Brito Machado – uma das autoras do trabalho. (Foto Arquivo Pessoal)

Para Aléxia Machado, a participação das famílias foi um componente importante da experiência. Ela permitiu reconhecer conhecimentos que os estudantes já possuíam antes das aulas. “O nosso objetivo não foi substituir esse conhecimento pelo científico, mas promover um diálogo entre eles”, afirma.

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Antes das atividades, 132 estudantes declararam conhecer alguma planta medicinal, enquanto quatro afirmaram não conhecer. Hortelã, boldo e camomila foram as espécies mais lembradas. As respostas associavam as plantas principalmente a remédios naturais, chás, alívio de sintomas e cuidados caseiros.

A hortelã foi citada por 49 estudantes, seguida pelo boldo, mencionado por 24, e pela camomila, lembrada por 23. Erva-cidreira, babosa, hibisco e alecrim também apareceram entre as plantas citadas.

Inspiração para a proposta

A proposta dessa sequência pedagógica surgiu das experiências das autoras durante a graduação. Especialmente nas disciplinas ministradas pela professora Luisa Brito e outras docentes do curso. “Nessas disciplinas, aprendemos a trabalhar o Ensino de Biologia de forma contextualizada, relacionando com aspectos culturais, históricos e sociais”, narra Aline Eleutério.

Aline Rute Eleutério – uma das autoras do trabalho. (Foto Arquivo Pessoal)

De acordo com a UNIFAL, a escolha pelas plantas medicinais permitiu partir de algo presente no cotidiano de muitas famílias. Isso possibilitou abordar conteúdos científicos, culturais, históricos e ambientais. “Como essas plantas fazem parte do cotidiano de muitas famílias, elas representam um recurso acessível e familiar”, explica Aline Eleutério.

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Para as autoras, essa proximidade poderia contribuir para diminuir o distanciamento dos estudantes em relação à Botânica. Além disso, ampliaria a percepção sobre a importância das plantas para além dos conteúdos tradicionalmente trabalhados em sala de aula.

“Como essas plantas fazem parte do cotidiano de muitas famílias e são utilizadas há milhares de anos para o alívio de sintomas e cuidados com a saúde, elas representam um recurso acessível e familiar, facilitando a aproximação dos estudantes para com as plantas, tornando-se uma possibilidade de sensibilização dos estudantes para com as plantas de uma forma geral”, detalha Maria Gabriely Rocha.

Um dos problemas considerados pelas acadêmicas foi a “cegueira botânica”. Esta expressão, utilizada no trabalho, caracteriza a dificuldade de perceber, valorizar e compreender a importância das plantas no ambiente. Na avaliação do grupo, o ensino baseado principalmente na memorização de termos e conceitos também pode dificultar o interesse dos alunos pela área.

“Um exemplo simples desse fenômeno é quando observamos uma imagem de um safári: nossa atenção costuma se voltar imediatamente para os animais, como o leão ou a girafa, enquanto a vegetação, essencial para a sobrevivência desses animais e para o equilíbrio do ecossistema, passa despercebida. Como consequência dessa negligência, também há menor interesse pela conservação da flora e pela preservação do meio ambiente”, contextualiza Aléxia Machado.

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Slides e vídeo produzidos pelos estudantes do trabalho proposto na sequência didática. (Fotos: Arquivo/Grupo)

Ampliação do repertório

Na avaliação das autoras, uma das principais mudanças foi a forma como os estudantes descreveram as plantas medicinais. Inicialmente, predominavam expressões como “remédio natural” e referências a espécies conhecidas. Após as atividades, surgiram com maior frequência termos relacionados a propriedades terapêuticas, substâncias presentes nas plantas e finalidades medicinais.

As respostas também passaram a relacionar as plantas não apenas ao preparo de chás e ao alívio de sintomas. Temas como biodiversidade, cultura, alimentação, economia, conservação ambiental e manutenção da vida foram incluídos. Isso demonstra uma compreensão mais ampla.

“O resultado mais relevante foi a aproximação entre os saberes que os estudantes já traziam de suas famílias e os conhecimentos científicos trabalhados na escola. Depois das atividades, as respostas passaram a incluir termos como propriedades terapêuticas, substâncias presentes nas plantas e finalidades medicinais, mostrando indícios de ampliação da compreensão científica”, aponta Aline Eleutério.

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A sequência didática também ampliou o repertório dos estudantes. Alguns descobriram possíveis usos medicinais de plantas que já faziam parte de seu cotidiano, como a folha do maracujá. Para o grupo, esse resultado indica uma ampliação da compreensão científica e mostra como conhecimentos familiares podem ser ponto de partida para novos aprendizados.

Maria Gabriely Silva Rocha – uma das autoras do trabalho. (Foto Arquivo Pessoal)

“As pesquisas, entrevistas e apresentações contribuíram para desenvolver a investigação, a comunicação, o trabalho coletivo e o protagonismo dos estudantes. Além da valorização do conhecimento transmitido entre as gerações e a importância de cultivarmos esses saberes, pois fazem parte da nossa cultura e história do nosso país”, pontua Maria Gabriely Rocha.

Durante os encontros, as autoras observaram perguntas, relatos de experiências familiares e menções a espécies. Algumas dessas espécies nem sequer estavam previstas inicialmente no material utilizado nas aulas, demonstrando o engajamento dos alunos.

Na avaliação final, 86 estudantes responderam à pergunta sobre o interesse em continuar estudando Botânica. Desses, 65 responderam positivamente e 21 negativamente. Entre os assuntos mencionados por aqueles que gostariam de aprofundar os conhecimentos estavam identificação das espécies, formas corretas de utilização e efeitos das plantas no organismo.

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Aléxia Machado destaca que a experiência buscou mostrar que o conhecimento não está restrito ao ambiente escolar. “Ao entrevistar familiares e pessoas de diferentes faixas etárias, os estudantes tiveram a oportunidade de aprender com seu próprio círculo de convivência”, afirma.

Conforme as acadêmicas da UNIFAL, a sequência didática pode ser adaptada a outros contextos. É importante considerar as características dos estudantes e da região. Espécies locais podem substituir aquelas utilizadas na experiência, e as atividades podem envolver pesquisas, entrevistas, hortas escolares, aulas práticas ou apresentações.

“O mais importante é partir dos conhecimentos prévios dos estudantes e de sua realidade, valorizando a cultura local e promovendo o diálogo entre os saberes populares e o conhecimento científico”, conclui Maria Gabriely Rocha.

O resultado completo da experiência das acadêmicas pode ser conferido no TCC disponível para acesso neste link.

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Slides produzidos pelos estudantes do trabalho proposto na sequência didática. (Fotos: Arquivo/Grupo)

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