Margaret Hamilton, a cientista norte-americana que liderou o desenvolvimento do software para o Projeto Apollo da Nasa, morreu aos 90 anos. A informação foi confirmada na quarta-feira (7) pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que detalhou que o falecimento ocorreu em 30 de setembro, em Cambridge, Massachusetts, nos Estados Unidos. Hamilton foi uma figura central no programa que levou a humanidade à Lua.
De acordo com o jornal O Tempo, o MIT descreveu Hamilton como uma pioneira da computação. A cientista foi responsável por criar o termo “engenheira de software” para definir seu trabalho no Projeto Apollo. Ela compreendia que sua atuação e a de sua equipe possuíam o mesmo rigor e importância das outras disciplinas de engenharia aplicadas na missão espacial.
Olivier de Weck, professor do MIT, destacou a dimensão de seu trabalho, afirmando que ela “liderou uma equipe no uso dessa tecnologia embrionária que desenvolveu um dos sistemas mais complexos que a humanidade havia criado até então”. Na rede X, Jared Isaacman, chefe da Nasa, publicou que o trabalho de Hamilton tornou possíveis “as primeiras viagens da humanidade à Lua”.
Quem foi Margaret Hamilton
Margaret Hamilton nasceu em 17 de agosto de 1936, em Paoli, Indiana. Formou-se em matemática e filosofia pelo Earlham College em 1958. Após a graduação, lecionou matemática por um curto período antes de se mudar para Boston com seu marido, James Hamilton, que estudava Direito em Harvard. No MIT, ela começou a programar softwares de previsão do tempo.
No início da década de 1960, Hamilton ingressou no Laboratório Lincoln, onde participou do projeto Semi-Automatic Ground Environment (SAGE), o primeiro sistema de defesa aérea dos Estados Unidos. Lá, ela desenvolveu software para identificar aeronaves inimigas. Em 1965, candidatou-se a uma vaga no Laboratório de Instrumentação do MIT para desenvolver o software que visava “enviar o homem à Lua”.
Selecionada, tornou-se a primeira programadora do Projeto Apollo no MIT e a primeira mulher a ocupar essa função. A cientista concentrou-se no desenvolvimento de software para detectar erros de sistema e recuperar informações em caso de falha de computador. Esses elementos foram cruciais durante a missão Apollo 11, em 1969. Em 1968, ela já era diretora assistente da equipe.
Hamilton deixou o MIT em meados da década de 1970 para atuar no setor privado. Em 1976, foi cofundadora da empresa Higher Order Software. Dez anos depois, em 1986, a cientista criou a Hamilton Technologies, continuando sua carreira no desenvolvimento de softwares por meio de suas próprias companhias após o período na agência espacial.
Entre os reconhecimentos ao longo da carreira, ela recebeu o prêmio NASA Exceptional Space Act Award, em 2003. Anos depois, em 2016, o então presidente Barack Obama lhe concedeu a Medalha Presidencial da Liberdade, uma das maiores honrarias civis dos Estados Unidos, por suas contribuições para a ciência e tecnologia.
