A ausência de saneamento básico em Minas Gerais tem gerado sérios impactos na saúde infantil, resultando em internações e mortes. Na comunidade de Alegre, em Januária, no Norte de Minas, a falta de infraestrutura afeta diretamente a saúde de crianças e adolescentes. De acordo com o Ministério da Saúde, pelo menos quatro pessoas de 5 a 19 anos são internadas diariamente no estado com doenças de veiculação hídrica, como diarreia e cólera.
Dados do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS) revelam que 781 pacientes dessa faixa etária foram atendidos na rede pública mineira nos primeiros seis meses de 2025. Em 2024, foram registrados 2.107 casos. Marcelo Otsuka, da Sociedade de Pediatria de São Paulo, destaca que diarreias causadas por rotavírus e adenovírus são comuns e já afetaram 386 mil pessoas, resultando em 245 mortes no estado de janeiro a julho de 2025, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG).
Desafios e esforços para melhorias
A leptospirose, transmitida pela urina de roedores, é outra doença que se propaga em áreas sem saneamento. Em 2024, foram confirmados 3.792 casos no Brasil, com 152 em Minas Gerais, conforme o Ministério da Saúde. A doença resultou em 346 mortes no país, sendo 12 no estado. A situação é um desafio constante para famílias como a de Zilda Soares dos Santos, que vive em condições precárias e sonha com melhorias para seus descendentes.
O prefeito de Januária, Maurício Almeida, afirmou que há esforços para implementar saneamento nas escolas, mas a distância nas zonas rurais dificulta os investimentos. Rodrigo Resende, do Unicef, reforça que o saneamento é um direito fundamental, conforme o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6 da ONU, essencial para combater desigualdades e garantir saúde e educação.
Estudos do Unicef indicam que a falta de banheiros adequados afeta principalmente meninas, privando-as de condições mínimas de higiene menstrual nas escolas. Em Minas Gerais e outros estados, mais da metade das alunas do nono ano enfrentam dificuldades nesse aspecto, o que impacta diretamente sua frequência escolar e perpetua ciclos de pobreza, segundo a professora Uende Aparecida Figueiredo Gomes, da UFMG.
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