Fotografia "Irmandade dos Homens Pretos" tirada em frente onde hoje funciona um banco na cidade. (Foto: Arquivo/Luís Eduardo de Oliveira)Luís Eduardo de Oliveira – egresso do Mestrado Profissional em História Ibérica e autor da pesquisa. (Foto: Arquivo Pessoal)Vista do Parque Municipal Ataliba Navarro de Cabo Verde-MG, onde até o final do século XIX, estava localizada a Capela de Nossa Senhora do Rosário e o Cemitério dos Homens Pretos. (Foto: Reprodução/Elleven Produções)Elaine Ribeiro – professora do Instituto de Ciências Humanas e Letras da UNIFAL-MG – foi a orientadora da pesquisa. (Foto: Arquivo Pessoal)Registro do lançamento do livro “Ancestralidade e memória: A construção de Cabo Verde nas dimensões nativas e quilombolas”. (Foto: Arquivo/Luís Eduardo de Oliveira)
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Pesquisa da UNIFAL revela apagamento e propõe resgate da memória negra em Cabo Verde

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Uma pesquisa conduzida por Luís Eduardo de Oliveira, mestre pelo Programa de Pós-Graduação em História Ibérica da UNIFAL-MG, revelou o apagamento histórico da memória negra em Cabo Verde, Minas Gerais. O estudo identificou a existência da Capela de Nossa Senhora do Rosário e do Cemitério dos Homens Pretos, cujos locais foram substituídos por estruturas modernas, como um parque infantil e uma agência bancária.

De acordo com o Jornal UNIFAL MG, o pesquisador, que também é professor e vice-diretor de uma escola estadual, destacou seu incômodo com a falta de reconhecimento da contribuição negra na história local. Ele encontrou registros da Irmandade dos Homens Pretos de Cabo Verde, ativa até o final do século XIX, e que teve sua capela destruída por um incêndio.

Oliveira utilizou o conceito de “memoricídio”, de Fernando Báez, para descrever a destruição sistemática de memórias culturais. A área onde ficava a capela agora abriga o Parque Municipal Ataliba Navarro, sem vestígios da história anterior. O pesquisador também destacou que o prédio da antiga sede da irmandade hoje é ocupado por um banco, levantando questões sobre a continuidade das manifestações culturais negras na cidade.

Resgate da Memória e Novos Projetos

Além de documentos, a pesquisa de Oliveira recorreu à memória oral para localizar o último endereço da capela, confirmando sua existência através de fotografias antigas e relatos de moradores. Este trabalho resultou no documentário Nas contas do Rosário, disponível no YouTube.

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O pesquisador, em parceria com a antropóloga Lídia Torres, lançou o projeto MEMORA – Memória, Oralidade e Ancestralidade, que inclui o documentário Presença e (r)existência negra na cidade de Cabo Verde, Minas Gerais e o livro Ancestralidade e memória: a construção de Cabo Verde nas dimensões nativas e quilombolas. O livro está disponível para compra aqui.

Oliveira planeja transformar o livro em uma história em quadrinhos para o ensino fundamental e pretende desenvolver seu doutorado sobre manifestações de resistência afro-indígena na região. A dissertação Nas contas do rosário: espaços de memória, fé e (re) existência negra na cidade de Cabo Verde, Minas Gerais, séculos XVIII e XIX pode ser acessada na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UNIFAL-MG, neste link.

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