Sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o BRICS anunciou uma parceria inédita para a eliminação de doenças determinadas socialmente. O anúncio foi feito durante a Cúpula de Líderes do BRICS, realizada no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro. Ao lado do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, Lula destacou a importância do acordo para a agenda global de equidade em saúde.
De acordo com a Agência Gov, o presidente Lula afirmou que a parceria visa enfrentar desigualdades que afetam o acesso à saúde, mencionando doenças como Chagas e cólera. “Hoje, lançamos a parceria pela Eliminação de Doenças Socialmente Determinadas, um esforço coletivo para enfrentar as desigualdades que ainda decidem quem adoece e quem morre”, disse Lula.
O presidente ressaltou a necessidade de investimentos em saneamento básico, alimentação, educação, moradia, trabalho e renda para garantir o direito à saúde. “Estamos liderando pelo exemplo, cooperando e agindo com solidariedade, colocando a dignidade humana no centro de nossas decisões”, destacou.
Parceria e Produção de Medicamentos
O ministro Padilha classificou a parceria como um marco histórico, que permitirá ao Brasil avançar em projetos de produção de medicamentos. Ele mencionou a retomada da produção de insulina humana e medicamentos para tuberculose, com apoio de China e Índia. “O lançamento dessa parceria pelos Chefes de Estado dá mais força a projetos como estes, gerando tecnologia, emprego e renda no Brasil”, afirmou.
A recomendação para o acordo foi feita pelos ministros da Saúde do BRICS em reunião realizada em junho, em Brasília. A iniciativa tem como inspiração o Programa Brasil Saudável, que busca enfrentar problemas sociais e ambientais que afetam a saúde de pessoas em maior vulnerabilidade social.
Para garantir a sustentabilidade da iniciativa, os ministros recomendaram a elaboração de um roteiro conjunto com marcos claros, além de sessões ministeriais periódicas e engajamento com parceiros de desenvolvimento e instituições financeiras internacionais, como o Banco dos BRICS.
A construção da parceria contou com forte protagonismo do Brasil, que atualmente ocupa a presidência rotativa do BRICS. A iniciativa visa eliminar até 2030 doenças e infecções ligadas a condições de pobreza e exclusão social, como tuberculose, hanseníase, malária, doença de Chagas, HIV/aids e hepatites virais.
Em 2024, o Brasil eliminou a filariose linfática como problema de saúde pública, reconhecimento concedido pela OMS. Este resultado é considerado um marco e demonstra a viabilidade da ação integrada entre setores para o enfrentamento de doenças determinadas socialmente.
O BRICS é composto por 11 países membros permanentes, incluindo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além de países parceiros como Belarus, Bolívia e Cazaquistão. Sob a presidência do Brasil em 2025, o bloco estabeleceu sete grupos de trabalho temáticos, incluindo saúde, educação e ecologia.
Para mais informações, confira a íntegra da 15ª Reunião de Ministros da Saúde do bloco.
