**Pesquisa revela contribuição das cavernas para serviços essenciais à vida**
Um estudo publicado na revista *Biological Reviews* aponta que cavernas e ambientes subterrâneos prestam até 68 dos 90 serviços ecossistêmicos reconhecidos globalmente. De acordo com pesquisadores de dez países, esses ambientes contribuem com 63% dos serviços de provisão, 82% dos de regulação e 100% dos culturais.
Entre os serviços estão fornecimento de água potável, energia geotérmica, abrigo para espécies agrícolas, regulação climática e produção de alimentos, como cogumelos e queijos. O trabalho contou com a participação de especialistas brasileiros vinculados ao Plano de Ação Nacional para Conservação do Patrimônio Espeleológico (PAN Cavernas do Brasil).
Serviços ecossistêmicos das cavernas
Os serviços de provisão incluem recursos como água, alimentos e matérias-primas. Já os de regulação envolvem processos como ciclagem de nutrientes e depuração de poluentes. Os culturais abrangem turismo, pesquisa científica e valores espirituais.
Na Bahia, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (Cecav/ICMBio) administra a Toca da Barriguda, um exemplo de área protegida. Organismos cavernícolas também têm potencial biotecnológico, com aplicações em fármacos e biopolímeros.
Impacto econômico e ambiental
Nos EUA, a caverna Bracken abriga morcegos que controlam pragas agrícolas, gerando economia de US$ 3 bilhões anuais. Já na França, o fungo *Penicillium roqueforti*, usado na produção de queijos, foi descoberto em cavernas.
O estudo alerta para ameaças como desmatamento, contaminação por agrotóxicos e descarte de resíduos. “Alterações nas regras ambientais podem comprometer esses serviços”, afirma Enrico Bernard, da Universidade Federal de Lavras.
O Brasil tem mais de 30 mil cavernas conhecidas, mas estima-se que esse número represente apenas 15% do total existente no país.
