Congresso aprova alterações nas regras para escolha de dirigentes de Universidades Federais

Advertisement

O Congresso Nacional aprovou o Projeto de Lei nº 5874/2025, que altera as regras para a escolha de dirigentes das Universidades Federais. A medida busca aperfeiçoar o processo e reafirmar princípios como autonomia, liberdade acadêmica e participação. A Universidade Federal de Lavras (UFLA) divulgou a nota da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) sobre o tema.

A Andifes destaca que a forma de escolha dos dirigentes universitários impacta a legitimidade da governança. Os desafios de financiamento da ciência, por sua vez, são parte das políticas públicas nacionais. A associação ressalta a importância de não confundir esses planos no debate sobre o futuro da educação superior no Brasil.

A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 207, estabelece o princípio da autonomia universitária. Este princípio garante autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial às universidades. O texto constitucional reconhece que a produção de conhecimento exige ambientes institucionais com liberdade intelectual e estabilidade administrativa.

A autonomia universitária foi afirmada no contexto da redemocratização do país, após um período de intervenções políticas. Desde então, é considerada essencial para a produção científica e o desenvolvimento intelectual. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996) aprofundou esse princípio.

Advertisement

A Lei nº 9.394/1996 garantiu autonomia acadêmica e administrativa às universidades. Ela também estabeleceu o princípio da gestão democrática, com participação de docentes, estudantes e técnicos. As decisões institucionais em universidades públicas são tomadas em estruturas colegiadas, definidas em estatutos e regimentos.

Essas estruturas asseguram a participação da comunidade acadêmica e mecanismos de controle social. A Andifes observa que a nomeação de reitores que não foram os mais votados em consultas internas gerou desgaste institucional e dificuldades de gestão. Isso afetou o ambiente para ensino, pesquisa e extensão.

O aperfeiçoamento legislativo aprovado pelo Congresso Nacional busca restabelecer a coerência entre os processos participativos internos e a legitimidade das lideranças universitárias. As Universidades Federais seguem mecanismos de controle e transparência, com prestação de contas anual e instrumentos de integridade e gestão de riscos.

De acordo com a Andifes, é importante distinguir a governança das universidades das políticas nacionais de financiamento da ciência. A escolha de dirigentes está ligada à legitimidade institucional e à estabilidade acadêmica. Os investimentos em pesquisa, por sua vez, decorrem de estratégias nacionais de soberania e desenvolvimento científico.

Advertisement

Mesmo com limitações históricas de financiamento, as universidades públicas respondem por cerca de 90% da produção científica brasileira. Mais de 70% dessa produção tem origem nas universidades federais. Essas instituições desempenham um papel central na formação de pesquisadores e no desenvolvimento tecnológico.

Elas também buscam soluções para desafios econômicos, sociais e ambientais em todo o país. Comparações diretas com instituições privadas ou estrangeiras, segundo a Andifes, frequentemente desconsideram características próprias das universidades públicas. Estudos como o de Bielschowsky e Amaral (2022) indicam que o custo por aluno é muitas vezes superestimado.

O orçamento dessas instituições inclui ensino, pesquisa, extensão, hospitais universitários e outras estruturas acadêmicas. Grande parte do financiamento da pesquisa não provém diretamente do orçamento das universidades. Ele vem de projetos captados por pesquisadores em agências de fomento e parcerias.

A defesa da autonomia universitária, pauta histórica da Andifes, inclui o fim da lista tríplice e a garantia de financiamento adequado. O financiamento da rede de universidades federais tem sido condicionado a agendas conjunturais de governos. A Andifes defende que ele seja tratado como política de Estado.

Advertisement

Aprimoramentos nas universidades são possíveis, conforme dados do Censo da Educação Superior. No entanto, qualquer diagnóstico deve partir da realidade e do compromisso com o progresso. A experiência internacional demonstra que ambientes acadêmicos com autonomia institucional, liberdade intelectual e legitimidade democrática produzem melhor conhecimento e inovação.

Universidades fortes dependem de instituições estáveis e de lideranças reconhecidas por suas comunidades. Fortalecer a democracia universitária é reafirmar um compromisso com os princípios da vida republicana. Reconhece-se que universidades autônomas, legitimadas e socialmente comprometidas são essenciais para o desenvolvimento do Brasil.

Diretoria da Andifes

A diretoria da Andifes é composta por:

  • Presidente: Reitor José Geraldo Ticianeli (UFRR)
  • Vice-presidente: Reitor João Alfredo Braida (UFFS)
  • Vice-presidente: Reitora Ana Beatriz de Oliveira (UFSCar)
  • Vice-presidente: Reitora Camila Celeste Brandão Ferreira Ítavo (UFMS)
  • Vice-presidente: Reitora Georgina Gonçalves dos Santos (UFRB)

A UFLA compartilha a nota da Andifes em concordância com o seu conteúdo e a relevância da temática.

Advertisement

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *