A taxa de desemprego no Brasil atingiu 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro de 2026, representando uma alta em relação aos 5,2% registrados no trimestre finalizado em novembro de 2025. Os dados, que fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-Contínua), foram divulgados nesta sexta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento considera tanto o mercado formal quanto o informal.
O resultado ficou próximo da mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 5,7%. De acordo com informações do jornal O Tempo, a menor taxa de desemprego da série histórica foi de 5,1%, registrada no trimestre encerrado em dezembro de 2025. O IBGE, no entanto, evita a comparação direta entre trimestres consecutivos que compartilham meses em comum, pois eles podem ter influências sazonais distintas.
“Influenciada pela perda de vagas nos segmentos de saúde, educação e construção, comum no início do ano, a taxa de desocupação voltou a crescer”, informou o instituto em nota. No trimestre até fevereiro, o país somava 6,2 milhões de pessoas com 14 anos ou mais em busca de uma oportunidade de trabalho, um aumento de 600 mil indivíduos em relação ao levantamento anterior.
O número de pessoas ocupadas com algum trabalho chegou a 102,1 milhões. O contingente representa uma queda de 0,8% (menos 874 mil pessoas) na comparação trimestral, mas um aumento de 1,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. A taxa de informalidade foi de 37,5%, ante 37,7% no trimestre encerrado em novembro de 2025 e 38,1% um ano antes.
O rendimento médio do trabalho no trimestre até fevereiro alcançou R$ 3.679 por mês. O valor representa um aumento de 2% em relação ao trimestre anterior e de 5,2% na comparação anual. Conforme os dados do IBGE, este é o maior valor da série histórica em termos reais, ou seja, com o ajuste pela inflação, desde o início da pesquisa em 2012.
Os indicadores de subutilização da força de trabalho também apresentaram piora. A taxa cresceu de 13,5%, no trimestre encerrado em novembro de 2025, para 14,1% no trimestre finalizado em fevereiro de 2026. Este indicador soma pessoas que procuram trabalho, aquelas que trabalham menos horas do que gostariam e as que não estão procurando emprego, mas possuem disponibilidade para trabalhar.
Entenda os indicadores
Segundo a metodologia do IBGE, o desemprego abrange pessoas com 14 anos ou mais que não estão trabalhando, mas que se encontram disponíveis e em busca de uma vaga. A Pnad Contínua, principal instrumento para monitorar a força de trabalho, realiza entrevistas em 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal a cada trimestre para coletar os dados.
Um cenário de desemprego baixo tende a impulsionar o consumo, uma vez que a população passa a ter mais renda disponível. Por outro lado, esse movimento pode exercer pressão sobre a inflação, devido ao aumento da demanda por bens e serviços. Em resposta a esse quadro, o Banco Central (BC) elevou a taxa básica de juros para 15% ao ano, buscando conter a alta de preços.
