Utilidade das fotos da Lua pela missão Artemis II para a ciência

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A Nasa divulgou, nesta terça-feira (7), as primeiras imagens da missão Artemis II, capturadas durante o sobrevoo lunar na segunda-feira (6). Entre os registros estão uma foto da Terra desaparecendo atrás da Lua, apelidada de “Earthset”, e um eclipse solar visto da espaçonave Orion. As fotografias são consideradas importantes para o planejamento de futuras missões ao satélite, que incluem pousos na superfície e a instalação de uma base permanente.

De acordo com informações do jornal O Tempo, cientistas destacam a qualidade dos registros, obtidos com equipamentos mais modernos em comparação com a última viagem tripulada à Lua, a Apollo 17, em 1972. Os novos ângulos fotografados permitirão estudos mais aprofundados sobre a superfície lunar, especialmente do lado afastado, que não é visível da Terra, e auxiliarão no planejamento de futuras missões.

As imagens serão utilizadas para o planejamento das próximas viagens ao satélite. Estão previstas alunissagens (pousos na superfície lunar) para 2028 e a instalação de uma base para presença humana permanente na Lua na próxima década. As fotos fornecem dados cruciais para a escolha de locais seguros e de interesse científico para essas futuras explorações, garantindo maior eficiência e segurança para os astronautas.

O registro que mostra a Terra parcialmente atrás do satélite, chamado pela Nasa de “Earthset” (pôr da Terra), é uma referência a uma imagem de 1968 da missão Apollo 8. Aquela foto, conhecida como “Earthrise” (nascer da Terra), mostrava o planeta surgindo no horizonte lunar. A nova imagem da Artemis II apresenta uma perspectiva oposta, capturada enquanto a espaçonave contornava o lado oculto da Lua.

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Filipe Monteiro, astrônomo do Observatório Nacional, explica que o efeito ocorre devido ao percurso da nave. “À medida que a tripulação entra na sombra do satélite, a Terra desaparece no horizonte, como se fosse um pôr da Terra”, afirma. Ele acrescenta que um dos principais objetivos da missão é justamente estudar a face oculta da Lua, coletando dados sobre sua formação, crateras e composição geológica.

Outra imagem de destaque mostra um eclipse solar observado pelas janelas da espaçonave Orion. Durante a trajetória da missão, a Lua se posicionou de forma a ocultar o Sol, em um evento que durou cerca de uma hora para a tripulação. A distância da nave em relação à Lua permitiu um registro completo do disco lunar com as bordas solares brilhantes, um fenômeno impossível de ser visto da Terra.

Rafael Sfair, físico e professor da Unesp, afirma que a geometria da viagem foi planejada para essa observação. “Foi um momento para coletar informações e observar o Sol em situações que não temos na Terra”, diz. A ausência de atmosfera terrestre permite uma visualização mais detalhada da coroa solar, que indica a atividade na superfície da estrela, fornecendo dados científicos valiosos para a física solar.

As imagens também servem como uma forma de prestação de contas para a missão, que é financiada com bilhões de dólares, principalmente pelo governo dos Estados Unidos. Segundo Monteiro, as fotos demonstram o domínio da tecnologia de exploração espacial e justificam o investimento público no programa Artemis, mostrando resultados concretos para a sociedade e para a comunidade científica internacional.

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Durante o sobrevoo, a missão Artemis II quebrou o recorde de distância da Terra para uma nave tripulada, alcançando 406.773 quilômetros. A marca anterior era da Apollo 13, em 1970. A espaçonave Orion já está em sua trajetória de retorno, com a chegada dos astronautas ao nosso planeta prevista para a próxima sexta-feira (10), concluindo esta etapa crucial do programa.

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