Conflito no Oriente Médio pode elevar inflação brasileira para cerca de 8%

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Um agravamento do conflito no Oriente Médio pode elevar a inflação no Brasil para 7,66% e reduzir a atividade econômica. De acordo com o jornal O Tempo, o alerta consta em um estudo divulgado nesta quarta-feira (8) pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), que aponta o aumento nos custos de energia e insumos estratégicos, como fertilizantes, como a principal causa do impacto.

A pesquisa da federação mineira projeta três cenários baseados na redução das exportações globais da região: moderado, severo e extremo. “O estudo mostra que o impacto para o Brasil ocorre predominantemente pelo canal de custos. Ou seja, mesmo com efeitos relativamente limitados sobre a atividade, a inflação tende a subir de forma relevante, pressionando empresas e consumidores”, explicou o economista-chefe da Fiemg, João Gabriel Pio.

Nas projeções da Fiemg, o impacto sobre a inflação pode ficar em 2,29% em um cenário moderado, 4,60% no severo e 7,66% no extremo. A atividade econômica, por sua vez, apresentaria uma queda variando de -0,04% a -0,12%, conforme a intensidade do choque. No cenário mais extremo, o Produto Interno Bruto (PIB) nacional recuaria 0,12%, com a interrupção total das exportações marítimas pelo Estreito de Ormuz.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial de inflação do Brasil, será divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira (10). A prévia da inflação, o IPCA-15, acumula alta de 3,90% em 12 meses, enquanto o IPCA-E, que mede a prévia acumulada trimestralmente, ficou em 1,49% para o período de janeiro a março.

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Setores estratégicos e impactos na economia

A inflação atuaria como o principal canal de transmissão da crise geopolítica, encarecendo os custos intermediários da indústria. O levantamento aponta que os segmentos mais prejudicados seriam a indústria de transformação, o setor de transporte e logística, além das cadeias de fertilizantes e de alimentos, que são altamente dependentes da importação de insumos para manter suas operações no país.

O estudo técnico também prevê efeitos colaterais, como uma possível valorização cambial no mercado interno e o aumento da arrecadação atrelada ao setor petrolífero. As receitas do petróleo poderiam registrar um crescimento de até 5% em 12 meses. Contudo, a análise aponta que esses ganhos seriam insuficientes para frear a forte disseminação da pressão inflacionária sobre as famílias.

O agravamento do conflito geraria uma desaceleração generalizada e moderada em diversas partes do mundo. Países que não possuem autossuficiência energética e são dependentes de combustíveis fósseis e fertilizantes importados enfrentariam as maiores dificuldades para equilibrar as contas públicas, uma vez que a instabilidade afeta diretamente o funcionamento das principais rotas marítimas comerciais.

Para o economista-chefe da Fiemg, a elevação dos preços demanda ações preventivas. “Em cenários mais extremos, esse movimento pode comprometer a competitividade da indústria e exigir maior atenção da política econômica”, concluiu Pio, alertando para a alta volatilidade dos mercados internacionais em meio à crise diplomática e bélica.

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