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Unidades de Conservação federais no Brasil estão se tornando destinos importantes para o astroturismo, atividade que aproveita áreas com baixa poluição luminosa para observação astronômica. Esses locais preservam “céus escuros”, essenciais tanto para a pesquisa científica quanto para experiências turísticas diferenciadas.
De acordo com Serena Reis, coordenadora substituta de Estruturação e Qualificação da Visitação, o astroturismo se alinha aos objetivos das unidades de conservação. “O astroturismo dialoga diretamente com os objetivos das unidades de conservação ao promover a valorização do patrimônio natural e a sensibilização dos visitantes para a importância da conservação”, afirma.
Entre as atividades oferecidas estão observação do céu estrelado, fotografia noturna, caminhadas em trilhas noturnas e ações educativas sobre astronomia. O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO) se destaca pelas condições climáticas favoráveis e baixa poluição luminosa.
Conservação além da paisagem
A preservação de céus escuros beneficia não apenas o turismo, mas também os ciclos naturais de diversas espécies. No Parque Nacional das Emas (GO), a distância de áreas urbanas garante excelente visibilidade astronômica.
Segundo Taynara Castro, analista ambiental, “a baixa presença de luz artificial ao redor do Parque Nacional das Emas faz toda a diferença para a qualidade do céu noturno”. Em condições ideais, é possível observar até a Via Láctea e fenômenos como a bioluminescência de larvas de vagalumes.
A expansão urbana representa desafios para a manutenção desses ambientes. Taynara destaca a necessidade de medidas como iluminação direcionada e regras municipais para controlar a poluição luminosa nas áreas próximas às unidades de conservação.
Projeto avalia potencial astroturístico
O Instituto Entre Parques desenvolveu o Índice de Potencial Astroturístico dos Parques Nacionais (IASTRO) para avaliar condições como poluição luminosa e infraestrutura. A ferramenta identificou unidades como Parque Nacional das Emas, Chapada dos Veadeiros e Serra da Capivara (PI) como ideais para a prática.
No Parque Nacional do Iguaçu (PR), o programa “Céu das Cataratas” oferece observação astronômica combinada com saberes tradicionais Guarani. A atividade ocorre em mirantes com vista para as cataratas, aproveitando a baixa interferência de luz artificial.
O astroturismo vem crescendo como alternativa de turismo sustentável, gerando oportunidades de trabalho e renda através de condutores locais e atividades de educação ambiental, além de contribuir para a conservação da biodiversidade.
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