O Núcleo de Inovação e Avaliação Tecnológica em Saúde da Universidade Federal de Uberlândia (Niats/UFU) desenvolve trabalhos em pesquisa, formação e extensão relacionados às desordens do movimento. Um novo projeto do núcleo é o “Parkinson no Lar” (Parkinson@Home).
Esta iniciativa busca compreender a doença de Parkinson no ambiente domiciliar dos pacientes. O estudo é conduzido no doutorado de Ariana Moura Cabral, pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Biomédica (PPGEB/UFU).
A orientação é do professor Adriano de Oliveira Andrade, com coorientação de pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e do Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha. A pesquisa integra uma rede de instituições de ensino e hospitais universitários.
A principal inovação metodológica é estender o monitoramento para além da observação laboratorial ou clínica. “A pesquisa entra no lar do indivíduo por meio do uso de sensores vestíveis que lembram um relógio, um smartwatch“, explica Cabral.
Dessa forma, os sinais motores e sintomas associados à doença podem ser monitorados enquanto o indivíduo realiza suas atividades diárias. Trata-se da primeira iniciativa brasileira a avaliar os sintomas de forma contínua no ambiente domiciliar.
O objetivo é quantificar mudanças motoras decorrentes do uso prolongado de medicação. Também busca compreender como a doença afeta a capacidade de realizar tarefas cotidianas.
Limitações do ambiente controlado
Atualmente, o acompanhamento neurológico padrão ocorre por meio de avaliações clínicas pontuais. Segundo Cabral, esse modelo apresenta limitações significativas de representatividade.
“O que se perde ao avaliar o paciente apenas em um ambiente controlado é a representatividade da doença no dia a dia, já que os sintomas manifestados durante a consulta de alguns minutos podem não refletir como a doença realmente se comporta”, detalha.
Fatores emocionais, como a ansiedade gerada pela presença do profissional de saúde, podem mascarar sinais importantes. A intermitência de sintomas, como tremores e rigidez muscular, torna desafiador atestar a eficácia contínua do tratamento em 24 horas.
Relatos dos pacientes, embora essenciais, costumam ser subjetivos e dependentes da memória. Nesse cenário, a validade do monitoramento domiciliar se destaca.
“Diferentemente do ambiente controlado, a avaliação domiciliar permite captar as variações naturais dos sintomas em diferentes momentos do dia, em resposta a fatores como alimentação, medicação, estresse e atividade física”, ressalta a doutoranda.
A ideia do projeto é que tecnologias de monitoramento contínuo cheguem ao Sistema Único de Saúde (SUS). Isso visa viabilizar abordagens terapêuticas personalizadas e decisões clínicas mais objetivas.
Chamada para voluntários
A etapa inicial de recrutamento e avaliação está em andamento em Uberlândia. O protocolo do estudo prevê o acompanhamento dos participantes por aproximadamente um mês e meio.
O processo envolve encontros clínicos pontuais para a avaliação da condição motora e cognitiva. Além disso, inclui o uso dos dispositivos vestíveis na residência do participante.
A pesquisadora assegura que a intervenção é mínima. Os voluntários são orientados sobre os cuidados básicos com os sensores e contam com suporte técnico dos pesquisadores.
“A ideia é que o participante utilize os sensores no dia a dia quase sem perceber que está usando, ou seja, não é esperado que o monitoramento interfira na rotina da pessoa”, afirma.
Para que os resultados possuam rigor científico, o estudo necessita também de voluntários sem a condição de Parkinson. A inclusão de pessoas sem a doença é fundamental para estabelecer parâmetros comparativos.
Segundo Cabral, esse grupo de referência permite aos cientistas discernir se as variações funcionais observadas são decorrentes do processo fisiológico de envelhecimento. Ou se caracterizam uma manifestação patológica exclusiva do Parkinson.
Os interessados em contribuir com a pesquisa devem preencher o formulário on-line. Ou entrar em contato diretamente com a equipe de pesquisa pelo e-mail: arianacabral57@ufu.br.
A participação no estudo é voluntária. O processo é acompanhado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da UFU.
