O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, respondeu às declarações do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que defendeu o afastamento e a prisão dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Mendes acusou Zema de contradição, lembrando que o governo mineiro, sob sua gestão, beneficiou-se de decisões da própria Corte para adiar o pagamento de uma dívida bilionária com a União.
A troca de acusações começou após Zema afirmar que os dois ministros “não merecem só processo de impeachment, merecem prisão”. De acordo com informações do jornal O Tempo, a fala do ex-governador e pré-candidato à presidência ocorreu na segunda-feira (13), durante um encontro com lideranças políticas organizado pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), em reação a notícias sobre os ministros.
Em sua resposta, Gilmar Mendes apontou que, por meio de liminares do STF, o estado de Minas Gerais adiou por aproximadamente cinco anos o pagamento de sua dívida de cerca de R$ 182 bilhões com a União. “É, no mínimo, irônico ver quem já geriu o Estado de Minas Gerais atacar o STF e seus membros após ter, durante sua gestão, solicitado ao Tribunal medidas que permitiram ao governo estadual adiar, por meses, o pagamento de parcelas de sua dívida com a União”, disse o ministro.
Mendes citou um documento do Ministério da Fazenda para reforçar seu argumento. “A Nota Técnica SEI nº 1.488/2026, do Ministério da Fazenda, confirma o que os fatos já demonstravam: o mesmo agente que hoje agride o Tribunal recorreu a ele inúmeras vezes para obter decisões que suspenderam obrigações bilionárias com a União. Sem o socorro institucional do STF, o então governador teria enfrentado um cenário de grave desorganização fiscal, com riscos concretos à continuidade de serviços públicos essenciais”, seguiu.
O ministro classificou as críticas de Zema como uma “contradição latente”. Segundo ele, o ex-governador recorre à Corte quando as decisões são favoráveis, mas a ataca quando há contrariedade aos seus interesses políticos. “Afinal, ninguém recorreria sucessivamente a um Tribunal cuja legitimidade não reconhecesse. Contudo, basta que a Corte contrarie interesses políticos desse grupo para que o pragmatismo jurídico dê lugar a chavões vazios de ‘ativismo judicial’ e a ataques à honra dos ministros”.
“É a política do utilitarismo: o STF serve como escudo fiscal e contábil, mas é tratado como vilão quando decide conforme a Constituição – e não conforme a conveniência de ocasião”, arrematou o ministro.
Fala de Zema foi feita a empresários
Durante o evento em São Paulo, Romeu Zema também fez outras críticas à Corte. “O STF era um lugar que nós tínhamos uma certa confiança, mas já estava cheirando mal há alguns anos. Agora, realmente, aflorou toda a podridão que está lá dentro”, acrescentou. Ele encerrou falando sobre as eleições: “As urnas vão responder em outubro. Nós vamos ter, se não tivermos até outubro, mudanças”.
