Ex-secretário de Educação deixa governo após denúncia no MP

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Rossieli Soares foi exonerado do cargo de Secretário de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE-MG) na noite de segunda-feira (27). A saída, comunicada pelo governo sem detalhar os motivos, ocorre após oito meses de uma gestão marcada por polêmicas, incluindo uma denúncia de irregularidade em contrato e uma briga durante um evento para estudantes no estádio do Mineirão. Gustavo Braga assumiu a pasta.

Com o desligamento, uma reunião que contaria com a participação de Soares na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta terça-feira (28) foi cancelada. A audiência tinha como pauta a proposta de implantação de escolas cívico-militares no estado. Rossieli Soares havia assumido o comando da secretaria em agosto de 2025, permanecendo no cargo por oito meses.

De acordo com informações do jornal O Tempo, um dos fatos de maior repercussão da gestão foi uma denúncia apresentada em março deste ano ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado. A deputada Beatriz Cerqueira (PT) apontou supostas irregularidades em um contrato de R$ 348,4 milhões para a compra de materiais didáticos.

A denúncia aponta suspeita de “compra orientada”, sem licitação, para beneficiar uma empresa de São Paulo que já possuía contratos assinados por Soares quando ele foi secretário de Educação no Pará. O acordo foi firmado em 23 de dezembro de 2025, quatro meses após o início de sua gestão à frente da pasta em Minas Gerais.

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A parlamentar também questionou o fato de a compra não constar no Plano Anual de Contratações da secretaria para 2025. Na época, o governo de Minas negou as irregularidades, afirmando que o processo resultou em um desconto de 57% sobre o preço de capa das obras, percentual que seria superior a outras negociações semelhantes analisadas pela SEE-MG.

Controvérsia em evento com estudantes

Outro episódio da gestão de Rossieli Soares ocorreu em novembro de 2025, durante um evento sobre inteligência artificial no Mineirão. Uma briga entre estudantes atrasou o início da aula, que estava previsto para as 10h. A confusão teria começado após os mestres de cerimônia do evento mencionarem os times de futebol Atlético e Cruzeiro, gerando tumulto no estádio.

Imagens do local mostraram uma briga com arremesso de copos de água, o que interrompeu a programação. O curso foi retomado por volta das 11h30. Em decorrência do ocorrido, Rossieli Soares foi convocado a prestar esclarecimentos na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) sobre a organização e a segurança do evento.

“Pessoas machucadas, alunos que desmaiaram… é um caos. Um caos no aulão do secretário de Educação, com o governador e o vice aqui em Belo Horizonte. Eles quiseram reunir milhares de estudantes, quase mil ônibus no trânsito de Belo Horizonte. É muita irresponsabilidade”, criticou a deputada estadual Beatriz Cerqueira após a convocação de Soares para a audiência.

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Ao comunicar a saída de Rossieli, o governo de Minas não apresentou o motivo da exoneração nem incluiu agradecimentos ao ex-secretário no texto oficial. A nota do governo dedicou espaço para detalhar a trajetória de Gustavo Braga, que assumiu a pasta com o desligamento de Soares, destacando sua formação e experiência no serviço público estadual.

O comunicado do governo apresentou o novo secretário: “Formado em Administração Pública (Fundação João Pinheiro) e com mestrado em Liderança e Gestão Pública (Centro de Liderança Pública), ele é servidor estadual da carreira de Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental do Governo do Estado de Minas Gerais desde o ano de 2013. Na Secretaria de Estado da Educação, foi chefe de gabinete e chefe da Assessoria Estratégica, tendo conduzido o planejamento estratégico da instituição e projetos de modernização da gestão educacional”.

Em suas redes sociais, Rossieli Soares não detalhou os motivos de sua saída, mas afirmou que irá se dedicar à vida pessoal. “Agora é hora de cuidar da saúde, estar mais perto da família e recarregar as energias para os próximos passos”, escreveu o ex-secretário, que também já foi ministro da Educação durante o governo de Michel Temer.

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