A Editora UNIFAL-MG lançará a obra “Pedagogia Vermelha: pensamento social e político indígena” nesta quarta-feira, 29 de abril, às 14h. O evento será transmitido ao vivo pelo canal oficial da Universidade no YouTube.
A iniciativa integra a programação do Abril Indígena – Saberes, Arte e Resistência. Este evento é promovido pelo Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI) em parceria com o projeto UniDiversidade.
De acordo com a professora Marilsa Mota, editora-chefe, a obra é um “instrumento insurgente e potente para ampliar o debate sobre educação decolonial e emergir saberes indígenas historicamente ignorados”.

A autora, Sandy Grande, é intelectual indígena quéchua e professora na Universidade de Connecticut (EUA). A obra, publicada originalmente nos Estados Unidos, é considerada uma referência para a compreensão da relação entre educação, teoria crítica e as lutas dos povos originários.
A autora aborda as estruturas do pensamento educacional. Ela propõe abordagens baseadas em saberes ancestrais, muitas vezes marginalizados ou incorporados pela academia tradicional.
A edição em português é resultado de mais de uma década de trabalho do professor e pesquisador Pablo Lima. Ele é vinculado ao curso de Formação Intercultural para Educadores Indígenas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
O professor dedicou anos à tradução da obra. O objetivo foi conectar os debates e as vivências dos povos originários norte-americanos à realidade da América do Sul.
A publicação foi iniciada por indicação acadêmica do professor Francisco Xarão, que acompanha a obra no Brasil desde 2011. A Editora UNIFAL-MG assumiu o projeto após aprovação do Conselho Editorial e negociação dos direitos autorais com a editora norte-americana Rowman & Littlefield.
Missão da Editora UNIFAL-MG e Acesso à Obra
De acordo com Marilsa Mota, a Editora UNIFAL-MG entende que a divulgação científica não se restringe a nichos. Ela deve ser um instrumento de luta. A publicação de “Pedagogia Vermelha” cumpre a missão democrática de ampliar o debate sobre educação decolonial.
A obra também visa trazer à luz saberes indígenas historicamente negligenciados ou absorvidos pela academia tradicional. A universidade pública, por meio desta publicação, busca romper fronteiras geográficas e intelectuais.
Por questões contratuais, o livro está disponível inicialmente apenas na versão impressa. A Editora UNIFAL-MG planeja ações para ampliar o acesso, incluindo a doação de exemplares a bibliotecas e instituições com atuação em educação indígena e decolonial.
Marilsa Mota afirma que o objetivo é que o livro alcance o movimento indígena, professores da rede pública e pesquisadores de toda a lusofonia. A ideia é conectar as vivências de diferentes povos e fortalecer a troca de saberes sobre educação e cultura indígena no continente.
O lançamento de Pedagogia Vermelha também representa um momento de reconstrução institucional da Editora UNIFAL-MG. Em meio a desafios orçamentários, a publicação é um “marco de resiliência” e demonstra a possibilidade de produzir conteúdo de qualidade com impacto social relevante.
A equipe da editora afirma que “Esta publicação prova que é possível fazer um editorial de alta qualidade, disruptivo e respeitoso, mesmo diante dos dilemas e desafios das instituições públicas”.
As inscrições para a atividade de lançamento podem ser feitas pelo Sistema de Informação de Extensão e Cultura (SIEC). O evento contará com a participação dos professores da UNIFAL-MG Francisco Xarão e Gerson Pereira Filho, responsável pela mediação, além da professora Roseni Ramos, líder indígena e docente da Escola Estadual Indígena Ibiramã Kiriri do Acré.