Governo de MG e UFV usam inteligência artificial para combater doenças em citros

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O governo de Minas Gerais e a Universidade Federal de Viçosa (UFV) firmaram um convênio para o projeto Citros Guard 4.0. A iniciativa utilizará inteligência artificial para monitorar e combater o greening, principal doença que afeta a citricultura. O acordo, assinado na quinta-feira (14), visa proteger a produção do estado, que é a segunda maior do país, com um investimento de mais de R$ 3 milhões.

Em 2024, a produção de citros em Minas Gerais, incluindo laranja, tangerina e limão, ultrapassou 1,2 milhão de toneladas, posicionando o estado como o segundo maior produtor nacional. O governador Mateus Simões mencionou a meta de alcançar a liderança no setor. “Estamos nos preparando para nos transformar no maior produtor de cítricos do país. E isso depende essencialmente desses estudos”, afirmou Simões.

O governador complementou que o controle de doenças como o greening é fundamental para atingir esse objetivo. “…o maior produtor pode perder a posição por causa de uma doença, o greening, que é exatamente o foco dessa pesquisa e do trabalho de monitoramento que está sendo financiado”, destacou. O projeto também busca diversificar a economia mineira, pois a citricultura possui alto valor agregado e permite a participação de pequenos e médios produtores.

O secretário de Estado de Agricultura, Thales Fernandes, ressaltou os impactos do greening na produção. De acordo com informações do jornal O Tempo, dados indicam que o Triângulo Mineiro superou a produção de laranja da Flórida no ano passado. “Esse investimento é muito importante neste momento porque o monitoramento do greening, com o uso de inteligência artificial, vai nos permitir avançar no controle da doença”, disse o secretário.

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O investimento de R$ 3 milhões é proveniente de recursos do Acordo de Reparação pelo rompimento da barragem da Vale S.A. em Brumadinho. O desastre, ocorrido em 25 de janeiro de 2019, foi objeto de acordo entre o Ministério Público de Minas Gerais, Ministério Público Federal, Defensoria Pública de Minas Gerais e o Governo de Minas. O rompimento resultou na morte de 272 pessoas.

Monitoramento da doença

Atualmente, há registros de greening em 92 municípios mineiros. As regiões dos Vales do Rio Doce e Jequitinhonha, além do Noroeste e Norte de Minas, permanecem sem ocorrências da doença. A diretora-geral do IMA, Luiza de Castro, explicou que o projeto combina tecnologia e política pública para ampliar a segurança sanitária e proteger o ambiente de negócios do setor agrícola.

“A iniciativa começa com a citricultura, que está em expansão em Minas, e para o enfrentamento da praga que mais afeta a cultura. Futuramente, o projeto será voltado também para outras produções agrícolas”, afirma a diretora-geral do IMA. O gerente de Defesa Sanitária Vegetal do IMA, Leonardo do Carmo, complementou que a combinação de monitoramento e tecnologia pode reduzir perdas nos pomares, que podem chegar a 80%.

O projeto une a demanda do IMA por soluções em defesa fitossanitária à pesquisa aplicada da UFV. O convênio abrange estudos sobre produção de mudas, uso de pesticidas e aperfeiçoamento de procedimentos. “O projeto lança mão de ferramentas de inteligência artificial para ajudar no acompanhamento, diagnóstico e desenvolvimento de ferramentas de tomada de decisão no monitoramento da produção cítrica”, afirma o pró-reitor Raul Guedes.

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A proposta inclui o uso de drones equipados com câmeras multiespectrais e termais para identificar plantas com sintomas da doença. Além disso, será aplicada tecnologia de aprendizado de máquina (machine learning) para mapear a dispersão do greening e do seu inseto vetor, permitindo intervenções mais rápidas e eficientes para o controle da praga nos pomares mineiros.

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