A análise estratégica no futebol envolve a observação de movimentos de jogadores, posse de bola e transição entre defesa e ataque. Estes aspectos contribuem para o aprimoramento do desempenho dos atletas. Eduardo Henrique Amancio Silva, mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Fisioterapia da Universidade Federal de Uberlândia (PPGFISIO/UFU), desenvolveu um projeto para automatizar a análise tática usando Inteligência Artificial.
Este projeto, agora financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), surgiu de um desafio. Na disciplina ofertada pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propp/UFU), Silva buscou transformar sua pesquisa de mestrado em um produto ou serviço de base tecnológica. Ele percebeu que gastava muitas horas analisando dados manualmente.
A partir dessa percepção, surgiu a questão sobre a possibilidade de automatizar o processo. Assim, foi criado o “X,Y SoccerIA”. Este projeto recebeu um investimento de R$ 496 mil, aprovado no edital “Cientista Empreendedor” da Fapemig. O desenvolvimento ocorre no Centro de Incubação de Atividades Empreendedoras (Ciaem) e no Parque Tecnológico (TecnoUFU).
A coordenação do projeto está a cargo de Luciana Carvalho, professora da Faculdade de Gestão e Negócios (Fagen) e diretora de Inovação e Transferência de Tecnologia da UFU. Segundo a coordenadora, “Ver uma ideia que surgiu em sala de aula se transformar em um projeto financiado é a prova de que a universidade pode e deve ser um espaço de geração de soluções reais”.
A iniciativa, com duração prevista de três anos, visa desenvolver cinco algoritmos. Estes algoritmos serão capazes de identificar, classificar e quantificar comportamentos individuais e coletivos durante partidas de futebol. Silva explica que uma câmera não percebe o jogo da mesma forma que um ser humano.
Isso exige um processo de mapeamento dos elementos e ações presentes no campo em coordenadas reais que possam ser rastreadas. De acordo com Silva, “Talvez o maior desafio científico seja traduzir o comportamento tático dos jogadores para uma linguagem que o computador entenda”.
Expansão e Acessibilidade no Futebol
Embora Silva tivesse a intenção de trabalhar com futebol desde a graduação em Educação Física na UFU, o mercado tecnológico não era seu cenário esperado no mestrado. Ele afirma: “Empreender nunca tinha passado pela minha cabeça, sinceramente”.
Segundo o pesquisador, empreender na ciência requer uma equipe qualificada com experiência e empatia. O apoio do Ciaem foi fundamental para transformar a ideia em um projeto viável. Silva ressalta que “A ideia sozinha não vai a lugar nenhum se você não consegue estruturá-la adequadamente”.
Para o pesquisador, o “X,Y SoccerIA” tem potencial para ampliar o acesso à análise de desempenho. Ele destaca que este recurso, muitas vezes, é restrito a times de maior prestígio. Silva completa: “O futebol acontece em muitos outros espaços, como escolas de esporte, categorias de base, clubes amadores e clubes profissionais de menor porte. Esses ambientes também precisam de soluções acessíveis e confiáveis”.
Após a finalização do produto, o objetivo de Silva é expandir para outros esportes coletivos. Entre os esportes mencionados estão basquete, vôlei e futsal. Esta expansão visa levar a tecnologia a um público mais amplo.
Edital Cientista Empreendedor
O edital “Cientista Empreendedor”, divulgado pela Fapemig em 2024, busca transformar pesquisas científicas e tecnológicas em empreendimentos. Isso ocorre por meio da parceria entre pesquisadores e promotores de inovação, como incubadoras, aceleradoras e parques tecnológicos.
A chamada é direcionada a mestres, doutores e doutorandos com soluções de base tecnológica. O edital oferece apoio financeiro para propostas com duração entre 12 e 36 meses. Entre os critérios de avaliação estão o mérito técnico, a maturidade da proposta, a qualificação da equipe e o potencial de impacto do projeto.
