Nesta segunda-feira, 25 de maio, o Dia Nacional da Adoção foi celebrado, com foco na conscientização sobre o direito à convivência familiar e comunitária de crianças e adolescentes. A promotora de Justiça do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Carla Priscilla Pereira Viana, compartilhou sua experiência de adoção.
Carla Priscilla foi acolhida aos três anos de idade e destacou os impactos positivos do processo em sua vida. Ela nasceu em uma família disfuncional, sem a presença da mãe e sem conhecimento sobre a identidade do pai.
A promotora relatou que foi cuidada por uma avó materna com limitações físicas, que não tinha interesse em criá-la. Isso a expôs a situações de risco durante os primeiros três anos de vida.
Devido a esses problemas, Carla foi retirada do núcleo familiar original e inserida em uma nova família que a acolheu. Este processo marcou o início de uma nova fase em sua vida.
De acordo com Carla Priscilla, inicialmente houve dificuldade em compreender a situação. No entanto, com o tempo, ao receber afeto e carinho, a confiança se estabeleceu. “Assim eu consegui fazer essa identificação de que ela era minha mãe, pois soube respeitar o meu tempo, entendendo que era necessária a construção de um vínculo”.
A promotora de Justiça afirmou que o processo de adoção ainda é associado a rótulos como “ato de caridade” e estereótipos de dificuldade e custo. Ela enfatizou que “A adoção é um ato de amor. O processo existe para que os direitos sejam garantidos e que aquela relação familiar floresça da melhor forma possível”.
Segundo dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA) do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), há mais de seis mil crianças e adolescentes aptos para adoção no Brasil. Desse total, aproximadamente 860 estão em Minas Gerais.
Carla Priscilla expressou gratidão aos seus pais adotivos, a quem descreveu como “verdadeiros heróis”. Ela declarou: “Não houve um dia da minha vida em que eu não me senti muito amada”.
A promotora ressaltou que sua formação, a oportunidade de estudar e a conquista de seu cargo atual foram possíveis graças ao apoio recebido desde a infância. Ela ponderou sobre como sua vida teria sido diferente sem a decisão de seus pais adotivos de tê-la como “filha do coração”.
