Escritora quilombola Dona Rosinha morre aos 67 anos em Itabira

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A escritora e ativista quilombola Rosemary Alvares de Souza, conhecida como Dona Rosinha, morreu na última quinta-feira (4), aos 67 anos, em Itabira, Minas Gerais. Ela era autora do livro “Memórias do Meu Quilombo”, lançado em 2025, e uma liderança da comunidade Quilombo Santo Antônio, onde atuava e residia.

Nascida em Belo Horizonte em 1959, Dona Rosinha foi criada pela tia no quilombo. Ao longo da vida, exerceu profissões como faxineira, vendedora e balconista. Sua atuação comunitária incluiu a presidência da Associação do Quilombo Santo Antônio por dois mandatos e a participação na rede de enfrentamento à violência contra mulheres, além de ter sido conselheira da sociedade civil por mais de 12 anos.

De acordo com informações do jornal O Tempo, o velório da autora ocorrerá neste sábado (6), a partir das 8h, na Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade. Uma missa será celebrada às 14h30, na Igreja de Santo Antônio, em Itabira, com o sepultamento previsto para as 16h30. Dona Rosinha era viúva e deixa um filho, Vinícios Souza, e uma neta, Ana Luiza.

“Dona Rosinha se foi e nos deixa seu texto-vida. A sua boa prosa. O seu olhar, o seu sorriso, a sua alegria ao ver publicado o seu primeiro livro. Ela estava plena; de letras, de escrita, de palavras, de vida. Hoje vivemos a descendência dela e, com certeza, como ancestral, ela será para quem fica uma estrela-guia”, comentou a escritora Conceição Evaristo.

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O livro “Memórias do Meu Quilombo”

A obra literária de Dona Rosinha nasceu de anotações em cadernos que ela manteve por décadas, registrando momentos de sua vida. A transformação das memórias em livro ocorreu após uma visita de Conceição Evaristo ao Quilombo Santo Antônio, em 2023. Evaristo teve acesso aos escritos e os apresentou à editora Cristina Warth, da Pallas, que publicou a obra com prefácio da própria Conceição.

Dona Rosinha tinha participação agendada em eventos literários. No próximo domingo (7), ela estaria em uma mesa na Feira do Livro, em São Paulo, que agora será transformada em uma homenagem à sua memória. A escritora também estava confirmada na programação do Festival Literário Internacional de Minas Gerais (FliMinas), que ocorre na próxima semana.

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