Foto: Flavio Tavares/ O TEMPO
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Cooperativismo e turismo criam novas rotas alternativas ao minério

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Em Mariana, no novo assentamento de Bento Rodrigues, a Cooperativa de Produtoras de Geleia de Pimenta-Biquinho ilustra como a tradição local pode sustentar famílias. O projeto, que estava prestes a ganhar o mercado internacional antes do rompimento da barragem de Fundão, precisou ser totalmente reestruturado. O processo de reerguimento contou com o aporte de indenizações e apoio para a montagem de uma nova fábrica.

De acordo com informações do jornal O Tempo, Neizita Geralda da Conceição, uma das fundadoras, recorda que a produção anual chegava a 900 kg de pimenta-biquinho, com uma plantação de até mil pés. “Na época, a gente teve até uma oferta de fazer uma exposição fora do Brasil, na Alemanha. A gente iria em janeiro de 2016”, lembra. No momento do rompimento, 800 kg de pimenta estavam colhidos.

Atualmente, a cooperativa depende de um produtor na Bahia para manter a fábrica funcionando. A nova estrutura, no entanto, permitiu maior agilidade na produção. “Se tiver encomenda a gente vai lá e ‘rapidão’ faz 500, 600 potinhos por dia. Depois que pega o costume fica mais fácil”, conta Neizita. O negócio, formado por mulheres, também serviu como elo comunitário durante o período de dispersão.

“A gente nunca parou de fabricar geleia. Mesmo lá em Mariana, a gente adaptou uma salinha e continuou fazendo. Nunca paramos porque, como a gente é muito unida, não queria ficar sem ver uma a outra, porque cada uma foi morar em um bairro. Continuar com a geleia era uma forma de a gente se encontrar pelo menos uma vez por mês”, relata Neizita.

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Desafios e alternativas em Brumadinho

Procurada, a Samarco afirmou que “entende que apoiar economias locais mais diversificadas e resilientes é parte do seu compromisso com os territórios onde atua”. A empresa destacou que, por meio do Programa Força Local, desembolsou R$ 4,2 bilhões em Minas Gerais entre novembro de 2020 e março de 2026, beneficiando 3.160 fornecedores locais de Mariana, Ouro Preto, Catas Altas e Santa Bárbara.

A mineradora também mencionou um investimento de R$ 3,7 milhões em 32 iniciativas de capacitação, que atenderam 1.122 participantes. Outro exemplo citado foi o Plano de Apoio à Diversificação Econômica (PADE), desenvolvido com o poder público e a sociedade civil para orientar ações de desenvolvimento sustentável em Mariana e Ouro Preto, com base nas vocações locais.

Ainda segundo a Samarco, o Fundo Diversifica Mariana disponibilizou mais de R$ 87,6 milhões em crédito para 497 empreendimentos locais até março de 2026. A empresa também prevê novos investimentos em infraestrutura, segurança hídrica e mobilidade urbana em Mariana. Em Brumadinho, o mototurismo e a gastronomia surgem como alternativas econômicas.

Em Casa Branca, distrito de Brumadinho, o motociclista Geraldo Juliani, de 71 anos, fundou em 2023 a empresa de eventos Vem pro Ride. A proposta é impulsionar o turismo de experiência, organizando passeios que integram a gastronomia mineira e a visitação de comunidades quilombolas. “Levamos os grupos com o intuito de ressignificar a atividade da região, mostrando que há vida além da mineração”, explica Geraldo.

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A empresária Iara Gazzinelli, proprietária da pousada Villa Domaso, também em Casa Branca, relatou que o negócio ficou cerca de três meses sem receita após o rompimento da barragem em 2019. A recuperação foi lenta, levando mais de um ano para uma melhora no retorno dos hóspedes. Uma das estratégias adotadas em parceria com o Sebrae foi direcionar serviços também para o público local.

No Córrego do Feijão, Renata Marley encontrou na culinária uma forma de sustento. Após a tragédia, ela e outras moradoras se uniram para atender a uma demanda da Vale, o que deu origem ao grupo Memórias Cozinha Afetiva. “Hoje em dia nós temos o Memórias Cozinha Afetiva, que é um grupo de mulheres formado para atender essas demandas, mas que hoje se expandiu. Atendemos vários eventos”, diz.

O desafio da diversificação econômica

O grupo, fundado em 18 de outubro de 2022, tornou-se um símbolo de resistência. “Vamos batalhar, vamos viver, vamos continuar. O Córrego do Feijão não é uma ‘cidade fantasma’, igual muitos falam. Tem profissionais qualificados e muito competentes”, afirma Renata. O negócio tem levado o nome da comunidade para outras cidades da região metropolitana e do interior de Minas Gerais.

Apesar das iniciativas, a mineração continua sendo uma das principais fontes de receita de Brumadinho. De acordo com o jornal O Tempo, o município arrecadou R$ 112,6 milhões em Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) em 2025, quase o dobro dos R$ 62,5 milhões de 2018, para um orçamento municipal estimado em R$ 505 milhões.

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Para Renato Lana, analista do Sebrae Minas, a diversificação não deve substituir a mineração, mas ampliar oportunidades. “O problema não é prestar serviço para a mineração. O problema é prestar serviço somente para a mineração”, afirma, destacando a vocação do município para a produção de hortaliças, turismo e cultura. O professor Bernardo Campolina, da UFMG, defende a necessidade de políticas públicas de longo prazo.

Campolina sugere que Brumadinho poderia se inserir ainda mais no turismo, agregando equipamentos para visitantes do Instituto Inhotim. Ele também aponta a vocação para a área viária, posicionando o município como um polo estratégico devido ao acesso à BR-040 e à rodovia Fernão Dias. “É preciso estudar se o município poderia se tornar uma zona industrial, um hub de plataforma verde”, pondera.

Planejamento e investimentos

A Prefeitura de Brumadinho informou estar em processo de preparação para a diversificação, com foco no turismo. O setor ganhou projeção internacional em 2026 com a inclusão do Instituto Inhotim na lista dos 52 lugares para conhecer do The New York Times. Em 2025, o Inhotim registrou mais de 335 mil visitantes.

Para estruturar o fluxo de visitantes, a administração municipal assinou contrato com a rede portuguesa Vila Galé para a construção de um hotel com investimento de R$ 150 milhões. Outro projeto é o Parque de Desenvolvimento Econômico de Brumadinho, com R$ 145 milhões do acordo de reparação da Vale, para atrair indústrias de outros setores.

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A mineradora Vale destacou o lançamento do Programa de Empregabilidade, em parceria com o Ministério Público de Minas Gerais e a prefeitura, que oferecerá 600 vagas em cursos profissionalizantes. A empresa também mencionou investimentos no Parque de Desenvolvimento Econômico e ações de fomento à produção agrícola e ao turismo na região.

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