Educação tardia é ferramenta de inclusão social e de promoção da saúde cerebral e possível prevenção de demências
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UFMG descobre que alfabetização na vida adulta melhora memória e raciocínio

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Um estudo conduzido por pesquisadores da UFMG investigou os efeitos da alfabetização tardia na saúde cognitiva de adultos e idosos. A pesquisa analisou como aprender a ler e escrever após os 40 anos pode impactar memória, raciocínio e funcionamento cerebral.

De acordo com João Victor de Faria Rocha, psicólogo e pesquisador da UFMG, a baixa escolaridade é um dos principais fatores de risco modificáveis para demência no Brasil e em outros países da América Latina. O estudo buscou entender se a alfabetização na vida adulta poderia trazer benefícios semelhantes aos observados em crianças.

A pesquisa acompanhou adultos e idosos entre 40 e 80 anos matriculados na Educação de Jovens e Adultos (EJA) em Belo Horizonte. Os participantes, com média de dois anos de escolaridade, passaram por avaliações neuropsicológicas e exames de ressonância magnética antes e após seis meses de estudo.

Resultados da alfabetização tardia

Os participantes foram divididos em dois grupos: um com aulas regulares da EJA e outro com reforço intensivo em alfabetização. Após seis meses, ambos os grupos apresentaram melhora na memória episódica, mas o grupo com reforço intensivo obteve ganhos maiores nas funções executivas.

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Segundo a UFMG, a alfabetização intensiva aumentou a conectividade entre o córtex pré-frontal, associado ao raciocínio, e o hipocampo, relacionado à formação de memórias. “Quem lia mais apresentava maior conectividade entre essas regiões”, afirmou João Victor.

Córtex pré-frontal é uma região do cérebro associada ao raciocínio, à tomada de decisões e ao julgamento. O hipocampo, por sua vez, está relacionado à formação de novas memórias.

Diferenças no desempenho

Os participantes que relataram dificuldades de aprendizagem na infância apresentaram menor progresso durante o estudo. A pesquisa sugere que alguns podem ter transtornos não diagnosticados, como dislexia ou TDAH, mas não estabelece diagnósticos formais.

O estudo foi realizado em parceria com a Faculdade de Educação da UFMG, o Ceale e a Secretaria de Educação de Belo Horizonte. As avaliações incluíram testes de leitura e entrevistas sobre as razões do analfabetismo na infância.

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