A médica de família e deputada federal por Minas Gerais, Ana Pimentel, participou de uma palestra na Universidade Federal de Lavras (UFLA) sobre misoginia nas redes sociais. O evento ocorreu na última quinta-feira, dia 25, no auditório do Departamento de Biologia (Ramalhão), e contou com a presença de estudantes, servidores e moradores da cidade.
O debate incluiu a participação de Rayane Carvalho, vice-presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres, e Júlia Moretto Amâncio, professora do Departamento de Administração Pública da UFLA e coordenadora da Casa das Cidades. O reitor da UFLA, José Roberto Soares Scolforo, também esteve presente, e a mediação foi conduzida pelo pró-reitor de Apoio à Permanência Estudantil (PRAPE), Rossano Wagner de Lima Botelho.
Durante a discussão, a parlamentar abordou a conexão entre o debate de gênero, as tecnologias e a Inteligência Artificial (IA). Ela destacou que os principais temas políticos globais incluem economia, energia e cuidado. A deputada enfatizou que a Lei da Misoginia visa responsabilizar agressores, sem restringir a liberdade de expressão.
De acordo com a Ufla, a deputada Ana Pimentel comentou: “Uma questão fundamental é que as pessoas que se expressam na internet tenham sua identidade pública. Isso não significa que elas não possam discordar sobre um mesmo assunto. Qualquer pessoa aqui poderá discordar, inclusive de mim, mas terá que responder pelo que fala, como acontece na sociedade. Hoje, qualquer pessoa entra na internet descaracterizada, inclusive com vários perfis, e pode fazer o que quiser. Só será retirada depois que o caso for judicializado”.
O debate também abordou a Política Nacional de Cuidados, considerada essencial para a autonomia feminina no mercado de trabalho. A maioria das famílias brasileiras é chefiada por mulheres, que também são responsáveis pelo cuidado materno e familiar. Esta política busca oferecer suporte para que as mulheres possam ter maior participação profissional.
A deputada Ana Pimentel afirmou: “O tema do cuidado é central e estruturante. Quando falamos da desigualdade entre homens e mulheres, o que aprisiona as mulheres é ter que cuidar da sociedade inteira de forma gratuita e sem corresponsabilização, impedindo-as de ter vida pública e maior acesso à cultura e ao lazer”.
Ao final do evento, Pimentel ressaltou a importância dos espaços educacionais para discutir temas sociais relevantes, como a violência de gênero e a proteção infantil. Ela mencionou que mais de 80% dos casos de abuso ocorrem dentro de casa, e quase 100% dos casos envolvendo crianças acontecem no ambiente doméstico.
A deputada enfatizou: “Por isso, as escolas são lugares privilegiados para essa discussão”. Ela agradeceu aos presentes e à UFLA pelo espaço, reconhecendo que esses temas podem ser incômodos, mas são cruciais. Pimentel concluiu que a temática de gênero, embora por vezes rotulada como identitária, é um tema que atravessa a sociedade e a economia.
