O Forum da Cultura da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) inaugurou a exposição “Saberes do povo” no Museu de Cultura Popular. A mostra celebra o Folclore Brasileiro e permanecerá em cartaz até o dia 28 de agosto. A visitação ocorre de segunda a sexta-feira, das 13h às 16h, com entrada gratuita.
A exposição apresenta mais de 50 objetos que representam lendas, danças, músicas, artesanatos e jogos. As peças ilustram as tradições populares de diversas regiões do Brasil. Entre os itens expostos, encontram-se estatuetas, esculturas entalhadas em madeira e xilogravuras.
O acervo inclui obras de localidades como Taubaté e Roseira Velha (SP), Caruaru e Petrolina (PE), Pirapora (MG) e Tefé (AM). Esta variedade demonstra a amplitude e a diversidade cultural brasileira. A mostra busca materializar os conhecimentos e práticas transmitidos por diferentes comunidades.
Um dos destaques da exposição é o conjunto de personagens do “Sítio do Picapau Amarelo”, de Monteiro Lobato. Figuras como Saci-Pererê, Emília e Visconde de Sabugosa, modeladas em cerâmica policromada, compõem este núcleo. A obra literária e suas adaptações televisivas contribuíram para a popularização do folclore brasileiro.
Os visitantes também podem observar as carrancas do Rio São Francisco. Entalhadas em madeira, essas figuras possuem feições com grandes olhos e dentes afiados. Segundo a tradição, as carrancas eram usadas nas proas das embarcações para afastar maus espíritos.
Atualmente, além de seu significado simbólico, as carrancas são consideradas objetos decorativos. Elas representam uma parte da cultura popular brasileira. A exposição permite um contato direto com essas manifestações artísticas e culturais.
Festejos populares em destaque
Outro segmento da mostra é dedicado aos festejos populares, como a Festa do Divino, o Maracatu, a Congada e a Festa de São Benedito. Essas manifestações são caracterizadas pela exuberância de cores e riqueza de ornamentos. Elas refletem o caráter coletivo de seus cortejos.
Bandeiras bordadas, fitas coloridas, mastros decorados e vestimentas cerimoniais são alguns dos elementos presentes. As celebrações envolvem procissões e desfiles acompanhados por instrumentos de percussão. A exposição permite contemplar a riqueza estética dessas peças.
De acordo com a UFJF, o Forum da Cultura contribui para a preservação de conhecimentos e costumes que formaram a identidade cultural brasileira. Esses saberes surgem da experiência cotidiana, da convivência com a natureza e da vida em sociedade.
Eles são transmitidos, em grande parte, de forma oral, pela observação e pela prática. Victor Dousseau, conservador e restaurador de bens culturais do Forum da Cultura, afirma que os saberes populares são indissociáveis do Folclore Brasileiro.
Dousseau explica que a relação no Brasil é resultado do encontro entre as culturas indígena, africana e europeia. “Dessa diversidade nasceram manifestações como o Bumba Meu Boi, o Maracatu, a Folia de Reis, o Frevo, as festas juninas, as lendas do Saci e da Iara, entre muitas outras. É parte dessa riqueza cultural que poderá ser vista na exposição”, disse.
Entendendo o termo Folclore
A palavra folclore tem origem inglesa, da expressão “folk-lore”. “Folk” significa povo e “Lore” significa conhecimento ou saber. O termo foi criado pelo escritor britânico William John Thoms em 1846.
O folclore possui características como ser popular, originar-se do saber cultural e ser uma tradição. É transmissível pela oralidade e pela prática, de geração em geração. Faz parte do conhecimento coletivo e é uma manifestação livre e espontânea de um povo.
Ele integra a riqueza cultural de um povo e, por isso, está inserido no patrimônio cultural. A Unesco define patrimônio cultural imaterial como “as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados e que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural”.
O patrimônio imaterial é transmitido pelos antepassados e é mantido e recriado pelas comunidades e grupos. Isso ocorre em função de sua interação com o meio em que vivem e com a sociedade.
